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25 de novembro de 2021
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Gabriel Abreu – Da Revista Cenarium

MANAUS – O município de Altamira, no Pará, foi em 2019 o campeão do desmatamento entre as cidades da Amazônia Legal. De acordo com dados do Prodes, um dos sistemas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que monitora o desflorestamento na região, são também do Pará seis dos dez municípios que mais desmataram a Amazônia no ano passado.

Ainda de acordo com o Prodes, cinco dessas cidades paraenses integram a Bacia do Xingu: Altamira, São Félix do Xingu, Senador José Porfírio, Pacajá e Anapu. Além deles, o município paraense de Portel aparece em oitavo lugar. O ranking dos dez maiores municípios desmatadores da Amazônia tem ainda três cidades do Amazonas e uma de Rondônia.

O ranking dos municípios com maiores taxas de desmatamento é um reflexo do forte crescimento da derrubada de vegetação no Brasil. Em termos gerais, o monitoramento do INPE revelou que 2019 bateu recorde dos últimos 10 anos.

De acordo com levantamento do instituto, entre julho de 2019 e maio deste ano foram desmatados 566.624 hectares de floresta no País. Desse total, 233.011 hectares estão no Estado do Pará, sendo Altamira a cidade que mais possui área desmatada.

O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, José Mauro O’ de Almeida, disse que as ações estão sendo intensificadas em Altamira para diminuir os índices de desmatamento.

“Altamira entra na estratégia global da Força Estadual de Combate ao Desmatamento, nos já fomos até o município, já fizemos autuações, já foram abertos inquéritos pela Polícia Civil do Pará por crimes ambientais. Mas nós estamos voltando periodicamente em Altamira e nos dez municípios que mais desmatam no Estado entre julho, agosto e setembro pelo menos para diminuir esses índices”, afirmou Almeida.

Território de Altamira

Às margens da BR-230, conhecida como Transamazônica, que passa também pelo Maranhão, Amazonas, Rondônia e Acre, cortada ainda pela BR-163 e pelo rio Xingu, um dos principais da Amazônia, Altamira está em um ponto central da floresta. 

A localização estratégica ficou ainda mais facilitada com os planos de expansão para a região, com a chegada da usina hidrelétrica de Belo Monte. Em 2010, o Ministério do Meio Ambiente liberou a obra bilionária que, hoje, sabe-se, serviu para encobrir mais um esquema de corrupção. 

Amazonas

No Amazonas, a região sul do Estado é a que concentra a maior taxa de desmatamento por conta das atividades agrícolas e pecuárias. Os três municípios amazonenses que estão no ranking dos dez maiores desmatadores são Lábrea, Apuí e Novo Aripuanã, que aparecem em quarto, sétimo e nono lugar do ranking, respectivamente. Os três municípios do Amazonas estão sendo alvo de uma operação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amazonas (SEMA) em parceria com o Exército, que combate o escoamento ilegal de madeira da floresta.

“O Estado (Amazonas) está trabalhando em conjunto com o Governo Federal, por meio do Comando Militar da Amazônia (CMA), onde a gente integra as nossas ações. O Estado trabalha nas áreas estaduais, o Governo Federal, nas áreas federais, mas a equipe da Sema integra essas ações para poder reduzir o custo logístico, aproveitar essas caronas para ter mais capilaridade nas ações”, destacou o secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Taveira.

Índices preocupam

O Greenpeace acompanha com preocupação os números de desmatamento na Amazônia. O porta-voz da organização não-governamental (ONG) no Brasil, Rômulo Batista, afirma que o ano de 2020 pode bater o recorde do ano passado se as ações do Governo Federal não forem mais incisivas na Amazônia Legal.

“O desmatamento está crescendo, ele já estava crescendo desde de 2012, mas o que a gente viu nos últimos dezesseis meses é um crescimento muito grande. Ano passado, a taxa oficial ficou em mais de 1 milhão de hectares, isso é mais que 1 milhão de campos de futebol que foram perdidos da floresta mais biodiversa do mundo, onde você encontra as mais diversas formas de vida. Foram incontáveis as perdas”, explicou o Rômulo.

Mais ações

Amazonas e Pará são os maiores Estados da região Amazônica e as secretarias estaduais de Meio Ambiente informaram que vêm desenvolvendo diversas operações para coibir o desmatamento.

No Pará, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) informou que realizou 66 operações de combate a crimes ambientais entre janeiro e junho de 2020, apreendendo 4.666 metros cúbicos de madeira ilegal. Os números mostram um crescimento nos seis primeiros meses desse ano.

Em 2019, foram 6.561 metros cúbicos apreendidos, os responsáveis respondem a processo que pode gerar advertências, multas e outras sanções. Os suspeitos também respondem pelos crimes ambientais praticados.

No dia 3 de julho, o Governo Federal anunciou a criação do Programa Floresta+ para valorizar quem preserva e cuida da floresta nativa do País. O projeto-piloto vai começar destinando R$ 500 milhões para conservação da Amazônia Legal. O programa conta com a participação do setor privado e de recursos de acordos internacionais só não foi informado como estado deve receber desse programa.