26 de novembro de 2020

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Com informações do portal Terra

MANAUS – Quase metade (45,4%) das queimadas que ocorreram entre agosto de 2019 e setembro deste ano na Amazônia foram em áreas que tinham sido recentemente desmatadas. E 64% do total aconteceu em propriedades privadas com registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

O quadro, que reforça a relação entre queimadas e desmatamento, foi revelado nesta segunda-feira, 16, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O órgão, do Ministério da Ciência e Tecnologia, lançou uma nova plataforma de dados, que cruza informações sobre focos de calor, desmatamento e CAR, e terá atualização mensal.

A análise feita para um período de 14 meses faz uma espécie de separação das queimadas por idade do desmatamento. O dados que foram apresentados nesta segunda incluem três períodos que tiveram alto índice de queimadas – agosto de 2019 e agosto e setembro deste ano. Nesses três meses, imagens de fogo chamaram a atenção internacional e atraíram críticas à gestão Jair Bolsonaro.

Os resultados confirmam análises anteriores feitas pela Nasa, agência espacial americana, e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) sobre relação entre fogo e desmatamento e contradizem a posição do governo federal de que a maior parte das queimadas estaria ocorrendo em áreas já desmatadas há muito tempo, o que não colocaria em risco a floresta em pé.

Segundo o levantamento do Inpe, em agosto de 2019, por exemplo, quando o bioma registrou 30.900 focos, em meio a um retomada da devastação da floresta, 53,5% dos focos de fogo ocorreram em áreas recém-desmatadas e 7% em florestas primárias. Áreas com desmatamento consolidado, mais antigo, responderam por 35,6% dos focos.

O fogo, no primeiro cenário, vem para ajudar a “limpar” uma área que foi derrubada, de modo a facilitar sua ocupação, por exemplo, por pastagem. É a etapa final de um processo de avanço sobre a vegetação nativa.

Agosto deste ano, que teve 29.307 focos, teve uma proporção parecida: 56,3% das queimadas ocorreram em áreas desmatadas recentemente, 9,2% em florestas primárias e 31% em desmatamento consolidado. Setembro teve um desempenho ainda pior para a vegetação: 42% dos focos ocorreram em desmatamento recente, 12,9% foram sobre a floresta primária e 38,8% sobre desmatamento consolidado.

A plataforma do Inpe considera como desmatamento recente o que foi mapeado nos dois anos anteriores pelo sistema Prodes (que traz dados consolidados de corte raso para o intervalo de agosto de um ano a julho do ano seguinte) e também a perda de vegetação identificada nos alertas do sistema Deter. Os dados de queimadas deste ano, por exemplo, foram cruzados com os Prodes de 2018 e 2019 e o Deter dos meses seguintes.

As informações são semelhantes às levantadas pela Nasa, que neste ano passou a trabalhar com um novo sistema de monitoramento por satélites de queimadas na Amazônia. Em agosto, grupo de pesquisa liderado por Douglas Morton, apontou que 54% dos focos de incêndio ocorridos nos primeiros oitos meses do ano na região tinham ocorrido em locais recém-desmatados.

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