Manaus tem a maior taxa de desemprego do País pelo segundo trimestre seguido, aponta IBGE

Nícolas Marreco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Pelo segundo trimestre consecutivo, Manaus tem a maior taxa de desempregados do País, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). A capital registrou nos três primeiros meses deste ano 18,5%, que é 1,6 p.p. (pontos percentuais) maior que no último trimestre de 2019, 16,9%. Os dados foram recentemente atestados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD).

Nessa mesma estatística, das capitais brasileiras, Salvador (17,5%) e Macapá (17,3%) aparecem na sequência. Da região Norte, Boa Vista (RR), com 17,1% de desocupação e Rio Branco (AC), com 15%, são as terceiras e quartas colocadas respectivamente. A nível estadual, o Amazonas também registrou alta no desemprego sobre o último trimestre.

A taxa subiu para 14,5%, maior que a média nacional de 12,2%. Quando comparado aos três primeiros meses de 2019, entretanto, o estado registrou queda de 0,6 p.p. no índice. O nível de ocupação foi de 53,6%, sendo 1,2 p.p. menor que o último trimestre de 2019. Comparado há um ano, os três primeiros meses de 2019 mostraram menos pessoas ocupadas, com taxa de 51,6%.

Em números estimados, 1,637 milhão estavam ocupados até março. Já o nível de informalidade foi de 58,9%, o terceiro do Brasil. O percentual do nível de ocupação na PNAD Contínua é calculado pela proporção de pessoas ocupadas sobre pessoas com idade de trabalhar, a partir dos 14 anos. Nem todas as pessoas nesta faixa etária tem força de trabalho.

Posição de ocupação

No primeiro trimestre, o item empregado apareceu na pesquisa com o maior número de pessoas ocupadas, cerca de 866 mil. Isso representa 52,9% do total. Outras 561 mil pessoas trabalhavam por conta própria, sendo 34,27%. Já as pessoas classificadas como empregadores reuniu um montante de 45 mil indivíduos, 2,62% do todo.

O chefe do IBGE-AM, José Mendes Coelho, explicou que os reflexos da crise pandêmica do coronavírus devem ser mais intensos no segundo trimestre, visto que o primeiro caso no Amazonas foi no dia 13 de março. “As medidas de isolamento começaram um pouco mais de uma semana depois, assim, é provável que os reflexos comecem mais para abril. A pesquisa contempla os possíveis impactos na última semana de março”, detalhou.

Do total de pessoas que trabalham por conta própria, 530 mil não possuíam CNPJ, representando 94,5% desse montante na informalidade. Comparados com os formalmente ocupados, os informais são 58,9% do todo. Nesse ponto, Coelho frisou que os trabalhadores domésticos, como diaristas, são a categoria com os maiores índices de informalidade.

“A maioria não possui carteira assinada. Nas 67 mil que trabalhavam em casa, 58 mil não tinham a carteira assinada. O dado de trabalhadores por conta própria é naturalmente importante ainda mais no momento em que vivemos; eles carecem de mecanismos de seguridade social. Para eles, deixar de trabalhar é deixar de receber”, completou.

O que mais empregou

Do total de empregados, o setor privado foi o que mais contratou, com 550 mil pessoas, seguido do setor público, 248 mil. Embora o IBGE considere uma estabilidade com o trimestre anterior, o setor privado reduziu 40 mil postos de trabalho, com redução de 28 mil postos com carteira assinada. O comércio foi a atividade com mais ocupações, com 316 mil postos.

A agropecuária vem em seguida, com 305 mil pessoas, e a administração pública e sérvios sociais, com 288 mil. O presidente da Federação das Câmaras de Lojistas do Amazonas (FCDL-AM), Ezra Azuri, explicou que o comércio vinha em crescimento no fim do ano passado e tinha 2020 como o “ano da retomada”.

“Muitos investimentos e lojas novas estavam sendo projetadas, com a saída de uma crise longa, de vários anos, e fomos surpreendidos com a questão do Covid. A princípio, o comércio já demitiu algo em torno de 30 mil, e a perspectiva é conforme a abertura gradual das lojas, haja uma diminuição nas demissões. Acredito que o mercado deva ter um ajuste nos próximos meses, mas afinal ainda deve haver um pouco mais de demissões”, afirmou.

A indústria geral apareceu em quarto lugar no número de ocupados, com 178 mil pessoas. São 17 mil postos a menos que no trimestre anterior. A maior redução foi no setor de construção civil e o aumento foi no setor da informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e administrativas. O rendimento médio real habitual de todas as pessoas ocupadas no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 1.783.

O IBGE indicou que todas as pesquisas foram feitas por telefone, e que o órgão não solicita dados bancários, senhas, número do RG, códigos de confirmação e afins. As informações são protegidas por lei pelo sigilo estatístico. O número 0800 721 8181 tira maiores dúvidas e a identidade do entrevistador pode ser confirmada no endereço respondendo.ibge.gov.br.

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