2 de março de 2021

Paula Litaiff – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com a chegada das 2 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca ao Brasil no noite dessa sexta-feira, 22, o Amazonas terá um reforço de mais 132,5 mil doses. A quantidade se soma as 282 mil doses da chinesa AstraZeneca das quais 40.072 foram destinadas à capital do Estado.

A questão é saber se a Prefeitura de Manaus dará conta de imunizar os grupos prioritários como profissionais de saúde que estão na linha de frente do enfrentamento ao novo coronavírus nos hospitais.

Logo após iniciar a vacinação, na terça-feira, 19, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) foi acusada de vacinar pessoas que não eram dos grupos prioritários. Pressionada nas redes sociais e por órgãos de controle, a Prefeitura suspendeu a imunização por dois dias.

O Tribunal de Conta dos Estado (TCE) exige a lista dos vacinados, que deve ser fornecida pela Semsa até segunda-feira, dia 25. O órgão fiscalizador vai comparar a relação com a lista de prioridades definida pelo Estado. O Governo aponta os grupos, mas a responsabilidade da imunização é da Prefeitura.

Com as vacinas desenvolvidas pela universidade inglesa de Oxford, a partir de segunda-feira, um novo grupo prioritário começa a ser vacinado em Manaus: idosos com idade a partir de 75 anos.

Irregularidades

Imagens que circulam nas redes sociais desde a terça-feira, 19, mostram as servidoras nomeadas por David Almeida (Avante), para atuar na Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), sendo imunizadas com a vacina contra a Covid-19. Gabrielle e Isabelle Lins foram acusadas de “furar a fila” por não atuarem de fato na linha de frente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Manaus.

Ambas pertencem à tradicional família Lins, que possui diversas alianças político-financeiras na capital amazonense. A própria Gabrielle usou as redes sociais para confirmar a informação, mas contesta que tenha tirado proveito do poderio político da família para se imunizar.

Entre as pessoas que já se vacinaram está o filho do ex-deputado estadual Wanderley Dallas (Solidariedade), o médico David Dallas. Diante das denúncias de que a fila de prioridade estaria sendo descumprida, as Defensorias Públicas do Estado e da União e os Ministérios Públicos Estadual e Federal expediram recomendação requerendo o cumprimento de critérios estabelecidos para a priorização de profissionais de saúde mais vulneráveis à Covid-19 e aos preceitos constitucionais da impessoalidade e da eficiência, sob pena de incorrer em improbidade administrativa.