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25 de junho de 2021
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Caroline Viegas – Da Revista Cenarium

MANAUS – Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros, 42 anos, ator, humorista, roteirista e o maior representante do movimento LGBTQIA+ no cinema. Aquele que disse que “rir é um ato de resistência” é o mesmo que, com sua partida nesta terça-feira, 04, estampa a tristeza no rosto de milhares de brasileiros. O Brasil perde um dos maiores humoristas que o país já conheceu. Mas, muito além disso, fica também o vazio de representatividade da causa gay nas telinhas.

O ator, que por vezes levou pautas LGBTQIA+ para dentro tantas casas brasileiras ao compartilhar sua vida pessoal no cinema, é mais uma vítima da Covid-19. Paulo Gustavo estava internado desde o dia 13 de março e foi intubado no dia 21 do mesmo mês. Após a notícia oficial de sua morte, uma grande comoção tomou conta da internet. De artistas nacionais e internacionais a pessoas comuns, todos lamentaram a morte do humorista.

Com a partida do ator se vai também grandes personalidades das telinhas que fazem o povo brasileiro se sentir íntimo do ator. Dona Hermínia, Valdomiro, Senhora dos Absurdos, Anibal são alguns dos personagens que tanto nos fizeram rir e, além disso, refletir. Em “Minha Mãe É Uma Peça 3”, o filho de dona Hermínia comoveu o Brasil durante a cena de seu casamento gay em que conta sobre o apoio e amor recebido pela mãe ao se assumir homossexual. O roteiro do filme retrata a própria vida pessoal do ator.

Representatividade e inpiração

Em todas os seus personagens, o roteirista deixou uma “pitada” de sua vida pessoal, emocionando e inspirando muita gente, principalmente dentro da comunidade LGBTQIA+. Mas, não foi só na dramaturgia que o ator foi porto de inspiração. Dentro e fora das telinhas Paulo Gustavo representou e rompeu paradigmas.

O casamento do ator na vida real, com o médico Thales Bretas, em 2015, foi um dos primeiros casamento gay repercutido na mídia nacional e quebrou tabus até então impostos pela sociedade. O acontecimento foi cercado de mistério, mas, após divulgado, se tornou um exemplo revolucionário na internet. Isso porque Paulo e Thales fizeram questão de ter todas as “pompas” que um casamento heteronormativo.

Paulo Gustavo e o marido, Thales Bretas, durante cerimônia de casamento (Reprodução/ Instagram)

No entanto, foi toda a jornada do casal para ter filhos e formar uma família maior que inspirou o jornalista Gabriel Abreu, de 24 anos. Em 2017, Paulo anunciou em seu Instagram que ele e Thales seriam pais de um casal de gêmeos, no entanto, sete meses depois os bebês morreram logo após o parto. Mas eles não desistiram. Em entrevista ao Fantástico quase dois anos depois, o ator se emocionou ao relembrar e contar toda a trajetória das duas gravidez.

“Ele está além de comediante ou um ator para mim. A representatividade dele na minha vida é como homem gay, pai, marido. Ele literalmente quebrou estereótipos e tabus, esses de que gay não pode casar com tudo que se tem direito ou não pode formar família”, desabafa Gabriel. O jornalista diz que Paulo Gustavo o ajudou, mesmo sem saber, a se aceitar como um homem gay que sonha.

“Eu já cheguei a pensar que tinha algo de errado comigo, porque um homem gay querer tudo isso, casamento e filhos, não pode! E ele veio com toda essa inspiração. Hoje eu aceito isso pra mim, quero, sonho, e vou lutar para ter. Paulo Gustavo foi inspiração!”, finalizou Gabriel que afirma que o legado pessoal e profissional do ator jamais será esquecido.

Em seu Instagram, Paulo Gustavo compartilhou fotos de lazer com a família (Reprodução/ Instagram)

Comoção

Dentre o artistas a lamentar a morte de Paulo Gustavo está a cantora americana Beyoncé. A rainha do pop publicou em seu site uma foto do ator com os dizeres: Paulo Gustavo Rest in Peace (Paulo Gustavo descanse em paz). O humorista era um fã assumido da cantora.

(Reprodução/ Site Beyonce)