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1 de dezembro de 2021
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Da Revista Cenarium*

BRASÍLIA – Após diversas simulações e postergamentos o Ministério da Educação (MEC) anunciou nesta quarta-feira, 8, as datas de realização datas do Enem 2020. Com aplicação das provas em papel previstas para ocorrer em 17 e 24 de janeiro de 2021 e a versão digital por meio do computador, em 31 de janeiro e 7 de fevereiro de 2021.

O Enem ocorreria inicialmente em novembro deste ano, quando o então ministro Abraham Weintraub era contrário ao adiamento e só mudou de ideia, após a iminente derrota sobre o tema no Congresso. O Senado chegou a aprovar texto exigindo a mudança de data, por causa dos reflexos da pandemia de novo Coronavírus.

Weintraub então insistiu na realização de uma consulta pública com os inscritos, afirmando que o resultado seria respeitado pelo governo. A maioria votou pela realização da prova em maio, mas, agora já sem ministro, o MEC ignorou essa posição.

O resultado da pesquisa foi divulgado após a saída de Weintraub. Técnicos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), informaram à reportagem da Folha de S.Paulo esta semana, que o órgão aguardava o anúncio do novo ministro para definição das datas.

Por conta do impasse para escolha do novo ministro, o MEC entendeu ser importante não atrasar ainda mais a definição dessas datas. O exame tem 180 questões e é aplicado em dois dias. Esta será a primeira edição com uma aplicação em computador para parte dos candidatos, em caráter de teste.

Principal porta de entrada para o ensino superior público, o Enem recebeu neste ano 5,8 milhões de inscritos. s resultados também dão acesso a bolsas do ProUni (Programa Universidade Para Todos) e contratos do Fies (Financiamento Estudantil).

Para decidir o órgão ouviu entidades que representam secretarias de Educação, o ensino superior público e privado sobre as datas. Secretários estaduais de Educação cobravam o MEC pelo adiamento do exame por causa do fechamento de escolas em decorrência da pandemia da Covid-19. O Consed, que representa os dirigentes, apoia as novas datas.

O argumento para não realizar o exame em maio, como queria os estudantes, é que isso atrasaria muito o calendário das universidades e também dos programas como ProUni e Fies. O que também teria impacto negativo na desigualdade.

A maior preocupação dos estados, que concentram a maioria das matrículas de ensino médio, é com o impacto que o fechamento de escolas vem causando para os alunos de escolas públicas, sobretudo os mais pobres.

Em maio a Folha de S.Paulo mostrou que 3 em cada 10 concluintes do ensino médio em escolas públicas no exame de 2018 não tinham acesso à internet. Na escola privada, 3,7% disseram não ter conexão residencial.
Diante dos impactos do novo Coronavírus, o CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou nesta terça-feira (7) um parecer que recomenda às redes de ensino evitar reprovações de estudantes neste ano.

O documento ainda precisa ser homologado pelo MEC. Ele sugere que as redes reorganizem os calendários de 2020 e 2021, considerem atividades remotas também no próximo ano e façam ajustes nas avaliações.

“O CNE recomenda fortemente a adoção de medidas que minimizem a evasão e a retenção escolar neste ano de 2020, reconhecendo, no entanto, que as decisões acerca dos critérios de promoção são de exclusiva competência dos sistemas de ensino”, diz o texto.

O órgão aprovou em abril outro parecer com diretrizes para reorganização escolar nesse período. O texto ainda sugeria que a definição de cronogramas de avaliações, como Enem, considerasse a interrupção de aulas.

O MEC homologou esse parecer, mas impôs uma exceção exatamente no trecho que falava das avaliações. O objetivo do governo foi deixar em aberto a possibilidade de fazer a prova ainda neste ano.

(*) Com informações da Folhapress