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16 de setembro de 2021
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Estamos vivendo um dos piores momentos relacionados ao meio ambiente, isso na esfera mundial. Todo o mundo volta os olhos para o Brasil. Grandes personalidades e chefes de Estado preocupados com a Amazônia, menos o nosso presidente.

O Brasil enfrenta um colapso ambiental, há uma crise hídrica a caminho e estamos apreensivos com a volta de um possível apagão. Nós aqui da região Norte sabemos muito bem o que isso significa.

Enfrentamos um racionamento de energia em 2001, no governo do presidente Fernando Henrique. Sem dúvidas essa experiência ainda está na memória dos nortistas.

Não é novidade para ninguém que o governo atual não prioriza a pasta do Meio Ambiente. Colocou para ocupar o ministério um advogado e não um ambientalista. O problema maior não era porque Salles é advogado, o grande problema era ele ser contra o meio ambiente, ser inimigo da natureza, não ter capacidade técnica para o cargo e contribuir para o sucateamento dos órgãos ambientais.

Sob o comando do ex-ministro Ricardo Salles, o Ibama sofreu aparelhamento e teve 21 superintendentes regionais exonerados sem explicação. A maioria era do Norte e Nordeste do País.

Outra questão muito séria e preocupante na Amazônia é o avanço do garimpo. Por conta dessa prática ilegal, o caos se formou na região. Os povos indígenas são retirados de suas terras por meio da violência de homens armados e o avanço do garimpo nessas terras é impulsionado pelo crime organizado junto com a anuência do Estado, que não faz absolutamente nada para frear tamanho absurdo.

Essa omissão do governo em relação à explosão do garimpo está custando vidas, biomas, é uma grande tragédia. Mais de 100 toneladas de mercúrio foram despejadas nessas áreas. Esse metal contamina solo, água e ar. A atividade garimpeira não é exclusiva de áreas indígenas, é uma questão de saúde pública e era assim que deveria ser tratada pelo Estado. Há uma estimativa de que mais de 200 mil pessoas trabalhem nessa atividade e há mais de 3 mil locais de garimpo ilegal funcionando na Amazônia.

Essa deveria ser uma luta de todos nós.

Com um governo tão cruel como esse, estar ao lado de pautas ambientais deveria ser algo para ser comemorado, mas infelizmente vivemos tempos obscurantistas. Se você se posiciona a favor da vida e da floresta, você será perseguido e chamado de comunista. Parece que estamos sendo governados pela oitava série, e isso não é uma ironia.

Quem não lembra da perseguição que o ex-superintendente da Polícia Federal do Amazonas Alexandre Saraiva sofreu?

Vimos tudo pelas redes sociais, foi um caso explícito de retaliação contra um agente público que apenas estava realizando, com muita maestria, o seu dever.

Em abril, o delegado Saraiva enviou ao STF notícia-crime contra o então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. No documento, o delegado apontou, entre outras coisas, denúncias de organização criminosa, advocacia administrativa e obstrução de fiscalização por parte do ministro do Meio Ambiente. Vale lembrar que no comando de Ricardo Salles regras de regulação ambiental também foram flexibilizadas facilitando a ilegalidade, até mesmo uma aeronave da FAB foi utilizada para transportar garimpeiros.

É desolador, é desesperançoso, é exaustivo vermos o governo tratando como alvo a ser abatido alguém que deveria ser aplaudido por estar fazendo dignamente o seu trabalho. Mas é o contrário que ocorre, Alexandre depois que enviou a notícia-crime contra Salles foi exilado, foi afastado, foi injustiçado, foi amordaçado apenas por ser alguém que estava fazendo o correto para manter a floresta amazônica de pé.

Depois de sua denúncia, Alexandre foi transferido para Volta Redonda (RJ), onde hoje exerce sua função como delegado. Mas sua luta continua, mesmo longe da Amazônia seu legado ainda está encorajando outras pessoas, suas ideias permeiam a floresta na qual ele deixou seu suor e amor.

O delegado Alexandre foi ao programa de entrevistas ‘Roda Viva’ em junho deste ano e por conta disso teve que responder um processo administrativo. A pessoa descobre e denuncia um esquema milionário de tráfico de madeira, e sofre perseguição de todos os lados.

Como este País pode dar certo? Não esqueçamos de Chico Mendes que deu a vida pela floresta e sua memória nos mostra o caminho já trilhado por ele. Sigamos aqueles que nos encorajam a enfrentar a escuridão. A coragem deles será a nossa luz.

Leia a resposta dele na íntegra:

(*) Regiane Pimentel é bacharel em direito, ativista social e feminista amazônida.

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