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17 de maio de 2021

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Alessandra Leite – Da Revista Cenarium

MANAUS – Um mundo de possibilidades vem se abrindo para as meninas que sonham em ser cientistas e encontraram, no Projeto “Menina Ciência – Ciência Menina”, um ponto luminoso no universo obscuro da pandemia. Em entrevista neste sábado, 24, a física e docente da Universidade Federal do ABC (UFABC), Maria Inês Ribas Rodrigues, idealizadora do projeto, conta detalhes da segunda edição realizada de forma remota para respeitar as recomendações sanitárias contra Covid-19.

O projeto teve a primeira versão presencial em novembro de 2019, reunindo 50 estudantes nos auditórios e laboratórios da UFABC. De acordo com a coordenadora, tanto a primeira quanto a segunda edição alcançaram pelo menos 2 mil inscrições cada uma, com as vagas sendo preenchidas, por meio de um sorteio. A idealizadora do “Menina Ciência, Ciência Menina” relembra que foi preciso repensar a realização do projeto quando a universidade precisou paralisar as atividades devido à pandemia, no mês de março de 2020.

“O curso aconteceu de forma totalmente virtual, com apoio de outras instituições, tais como Unifesp – Diadema, IOWA University, entre outras. Tivemos de nos adaptar ao virtual. Nesse meio tempo, procurei me aproximar dos resultados positivos de outros projetos, como os “Astrominas”, diz a física, fazendo menção ao projeto realizado pela astrônoma Elysandra Figueiredo Cypriano, professora do IAG – Universidade de São Paulo (USP), que teve sua primeira edição realizada on-line, em julho de 2020.

Maria Inês comemora, ainda, o fato de as crianças e adolescentes passarem a sonhar em ser astrônomas, geofísicas, oceanógrafas, interesse demonstrado depois do contato com o curso e o projeto. “As meninas acabam descobrindo um mundo novo de possibilidades, alguns desses resultados estão em nosso trabalho, apresentados no Esera (European  Science Education Research Association).

A coordenadora Maria Inês durante entrega do certificado das meninas na primeira edição, em 2019

Surgimento do projeto

Iniciativa tem objetivo de aproximar estudantes do Ensino Fundamental 2 das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Divulgação/Assessoria)

A física Maria Inês conta que o surgimento do projeto se deu após o convite para apresentar uma palestra em um outro trabalho, o “Mergulho na Ciência”, do Iousp (Instituto Oceanográfico da USP), que tem o objetivo de aproximar as meninas das ciências. “Foi simplesmente encantador. Era algo que eu já buscava em minha prática, pois este propósito está inserido no processo de alfabetização científica não só para todos, mas principalmente para mulheres”, contou a idealizadora.

A especialista relembra que o projeto foi prontamente aprovado pela universidade UFABC, com a integração de mulheres cientistas, cujo exemplo de trabalho colaborativo é um destaque, orgulha-se Maria Inês.

Entre a Paleontologia e a Biologia

A estudante Sabrina Araújo, de 13 anos, moradora de São Paulo, conta que o projeto “Menina Ciência” abriu para ela um mundo totalmente desconhecido e vem influenciando em suas possíveis escolhas para decidir por uma profissão. Uma delas é a Paleontologia, especialidade da Biologia que estuda a vida do passado da Terra e o seu desenvolvimento ao longo do tempo geológico e da formação dos fósseis. “Ainda não tenho certeza se opto pela Biologia ou Paleontologia, mas o projeto me fez olhar a Ciência de uma maneira diferente, de descobrir áreas da Ciência que eu nem sabia que existiam”, relata.

Cursando a 8º ano do ensino fundamental, a estudante ressalta o impacto positivo que o contato com a universidade teve também por conta do acesso aos laboratórios. “Ver como tudo funciona, ter acesso aos laboratórios, tudo isso foi maravilhoso. Estou com muita saudada da UFABC, foi realmente muito bom”, destaca a futura cientista.

Sabrina e as colegas durante atividades na primeira edição do Projeto, em 2019 (Arquivo Pessoal/Instagram)

No ano passado, com o projeto 100% realizado on-line devido à pandemia, o “Menina Ciência” deu oportunidade para mais que o dobro de jovens. Na primeira versão, em 2019, foram abertas vagas para 50 meninas, já no formato virtual 120 garotas puderam participar. “Com o projeto eu percebi que a gente pode estar no centro também. Pode estar no lugar que a gente quiser. Meninas de todo o Brasil puderam participar no formato digital e isso foi incrível”, diz Sabrina.

Assista ao vídeo:

(Reprodução/Youtube)