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26 de janeiro de 2022
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Com informações do Infoglobo

CABUL — A história de Parwana Malik teve repercussão internacional após a menina de apenas nove anos ter sido vendida para se casar com um homem de 55 anos no Afeganistão. Sem renda para sustentar a família, o pai dela, Abdul Malik, viu o matrimônio forçado como solução. O caso foi noticiado pela emissora CNN em novembro e gerou uma mobilização que terminou no resgate da criança, após o empenho da ONG dos Estados Unidos Too Young to Wed (TYTW), que trabalha para salvar meninas do casamento infantil.

“Estou muito feliz. Me livraram do meu marido. Meu marido era um homem velho. Eles me trataram mal. Me xingaram, me acordaram cedo e me obrigaram a trabalhar”, disse Parwana à CNN.

Parwana, os cinco irmãos e a mãe, Reza Gul, passaram dois dias hopedados em um hotel e depois foram transferidos para uma casa em um local considerado seguro. Até então, eles viviam em uma tenda em Qala-e-Naw, na província de Badghis. A família deve permanecer na residência até o fim do inverno.

Segundo a mãe da menina, a venda foi feita contra a vontade dela. Reza Gul relatou que o caso chocou até mesmo a comunidade que conhecia o comprador, identificado como Qorban, o que levou o homem a se esconder.

“Claro, eu fiquei com raiva. Lutei com meu marido e chorei. Ele disse que não tinha opção. Milha filha conta que que bateram nela. Ela não queria ficar lá. Agora me sinto feliz e segura aqui. Meus filhos estão comendo bem desde que chegamos, eles estão brincando e estamos nos sentindo felizes”, conta.

O pai da vítima também foi pressionado e chegou a mudar sua versão sobre o casamento em entrevistas posteriores para veículos de comunicação locais. Mesmo após a devolução da menina para a família, ele ainda deve o equivalente a US$ 2.200 ao comprador. Abdul aprovou a realocação da família e a TYTW vai ajudá-lo a quitar o débito.

Stephanie Sinclair, fundadora da TYTW, celebra o resgate, mas ressalta que resolução do problema não é definitiva.

“É uma solução temporária, mas o que realmente estamos tentando fazer é impedir que as meninas sejam vendidas para o casamento. É um imperativo moral que a comunidade internacional não abandone as mulheres e meninas do Afeganistão. Todas as vidas são importantes, e as vidas que podemos salvar irão melhorar a experiência de toda a família delas e de suas comunidades”, afirmou.

Direitos das mulheres

O governo do Talibã divulgou nesta sexta-feira, um decreto, em nome de seu líder, mulá Hibatullah Akhundzada, sobre os direitos das mulheres no Afeganistão, afirmando que elas não devem ser consideradas “propriedade” e precisam consentir com o casamento. O texto, no entanto, não mencionou o acesso feminino à educação ou ao trabalho fora de casa.

Desde que o Talibã assumiu o poder em 15 de agosto, o grupo extremista tem estado sob pressão de vários países — muitos dos quais, como os EUA, congelaram fundos para o Afeganistão — para comprometer-se a respeitar os direitos das mulheres.