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10 de maio de 2021

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Com informações do Portal Alma Preta

ÁFRICA – Informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que das, em média, 550 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 aplicadas na população mundial, menos de 2% foram no continente africano. A porcentagem abrange o período de imunização global até abril e representa cerca de 11 milhões de doses destinadas à África.

Contudo, de todos os continentes, o africano é o menos afetado pela pandemia de coronavírus. Com 4,3 milhões de casos, a OMS contabiliza 114 mil mortes, levando em consideração uma população de 1,2 bilhão de habitantes contra 2,9 milhões de mortes em escala mundial.

Do total de 54 países africanos, 45 já iniciaram a vacinação e 36 só puderam começá-la com o auxílio da iniciativa global Covax, da OMS. A ação visa a distribuição de maneira mais igualitária das vacinas no continente. Na África, a maioria das vacinas administradas pertencem ao laboratório AstraZeneca, pelo valor de custo baixo e pela facilidade de armazenamento.

Segundo um estudo da coalizão de organizações e ativistas chamada The People’s Vaccine Alliance, as nações ricas, que representam apenas 14% da população mundial, adquiriram mais da metade (53%) de todas as vacinas mais promissoras. Esse dado inclui todas as vacinas da Moderna para 2021 e 96% da produção esperada da Pfizer.

O Canadá liderou a lista, de acordo com os dados da empresa de análises Airfinity, com doses suficientes para vacinar cada canadense cinco vezes. Mesmo o continente africano sendo o menos afetado pela pandemia, na comparação com os outros, faltam vacinas em todo território africano e o atraso na distribuição é de 20%. Uma pesquisa do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) mostra que as vacinas entregues através da Covax não são suficientes para acabar com a pandemia no continente.

O exemplo que a pesquisa cita é o do Quênia, que só conseguiu obter um milhão de vacinas, em média, quando o programa Covax havia determinado distribuição inicial de 1,5 milhão de doses. O quantitativo cedido ao Quênia não supre nem a vacinação prioritária de professores e trabalhadores de saúde. 

O estudo ainda aponta que existem países mais avançados do que a média e que já vacinaram mais de 2% de suas populações. Ruanda, Senegal e Gana estão entre eles. Os demais países da África começaram a campanha de imunização de maneira mais lenta e atualmente contam com cerca de 1% da população imunizada.

O único País do continente que interrompeu o uso da AstraZeneca foi a África do Sul. O CDC África afirma que devido aos casos raros de surgimento de coágulos sanguíneos em alguns pacientes após a aplicação da AstraZeneca, outros países, com condição de investir em fabricantes com valor de custo mais alto, optaram por deixar a vacina anglo-sueca de lado. Em todo continente africano isso é impossível.

“Os países ricos rejeitam as vacinas da AstraZeneca e da Johnson & Johnson, por exemplo, pois eles têm alternativas. Estas vacinas acabam na África porquê a maioria dos países não tem outra escolha”, comenta uma das autoras do estudo, a epidemiologista Catherine Kyobutungi, nas considerações do artigo.