9 de março de 2021

Com informações UOL

SÃO PAULO – O procurador Deltan Dallagnol e o ex-juiz Sergio Moro debateram em aplicativo de mensagens levantar o sigilo de uma ação da Polícia Federal (PF) em que constava um relatório sobre o acervo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Menos de uma hora e meia após a conversa, Moro fez o despacho suspendendo o sigilo.

A discussão aconteceu em março de 2016, quando o nome do ex-presidente era especulado para assumir o Ministério da Casa Civil no governo de Dilma Rousseff (PT). Dallagnol disse a Moro temer que a nomeação impedisse a suspensão do sigilo, uma vez que Lula passaria a contar com foro privilegiado. (…)

Em 11 de março de 2016, por volta das 16h, Moro disse a Dallagnol: “A PF [Polícia Federal] deve juntar relatório preliminar sobre os bens encontrados em depósito no Banco do Brasil. Creio que o melhor é levantar o sigilo dessa medida. Abri para manifestação de vocês [força-tarefa da Lava Jato], mas permanece o sigilo. Algum problema?”.

O sigilo era referente a um pedido de busca e apreensão contra Lula. Em 4 de março, a PF encontrou na residência de Lula um termo que indicava o depósito de “23 caixas lacradas” no Banco do Brasil no centro de São Paulo. O material estava no depósito desde 21 de janeiro de 2011, pouco menos de um mês após ele ter encerrado seu segundo mandato. Nas caixas, havia presentes recebidos por Lula ao longo de seus dois mandatos. (…).

Outra quebra de sigilo

Esse não foi o único episódio envolvendo quebra de sigilo. Moro liberou uma gravação de uma conversa telefônica entre Lula e Dilma no dia em que o ex-presidente foi anunciado como ministro. O diálogo aconteceu após o então juiz ter determinado o fim da interceptação telefônica. Dias depois, em 22 de março, Moro disse a Dallagnol não se arrepender de ter levantado o sigilo, atitude que qualificou como “ato de defesa”. “Não me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim.”