Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
16 de outubro de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
image/svg+xml

Com informações do Portal IG

SÃO PAULO- Apenas 19% dos quase 5 milhões de vacinados no Brasil registrados pelo Ministério da Saúde até sexta-feira eram pretos ou pardos, segundo análise do Globo dos dados divulgados pela pasta. O percentual está muito abaixo da parcela da população que se identifica dessa forma: de acordo com o IBGE, 56% da população é negra (preta ou parda).

Segundo a pasta, não há registro sobre a cor de 26% dos vacinados — ou seja, mesmo que todos eles fossem pretos ou pardos, o percentual de negros vacinados ainda seria menor que o da população brasileira. De acordo com os dados analisados pelo Globo, por exemplo, entre os grupos em que os pretos têm sua maior proporção de vacinados estão moradores de rua, quilombolas, guardas civis e trabalhadores de limpeza.

Entre os 336 moradores de rua sobre os quais há registro de vacinação, 64% são negros e 27% são brancos. Entre os 950 mil idosos com 80 anos ou mais, 41% são brancos e 18% são pretos ou pardos.

“O envelhecimento da população negra em geral é desigual em relação aos brancos. Existe uma tendência dos idosos negros chegarem a esse momento da vida com condições de vida bem diferentes se comparados em relação aos idosos brancos, por exemplo — afirma Alexandre da Silva, doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo e membro do grupo de trabalho Racismo e Saúde, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

Entre os 336 moradores de rua sobre os quais há registro de vacinação, 64% são negros e 27% são brancos (Reprodução/Internet)

A trajetória de vida dos negros que chegam aos 60 anos geralmente é marcada por mais estresses e cansaços relacionados à questão da sua cor, do racismo, e das desigualdades socioeconômicas, já que costumam ser mais pobres, com empregos piores. Quando essa pessoa chega aos 60 anos, o corpo já tem mais acometimentos do que outras pessoas, principalmente aqueles que causam casos mais graves de Covid”, completa.

Um dos grupos que aparece representado para além de sua participação na população é o de amarelos: 10% dos vacinados se identificaram como amarelos, uma fatia muito maior do que a dos dados do IBGE, já que apenas 1% dos brasileiros é amarelo. Já em relação aos brancos, a vacinação segue em padrão equivalente ao da população: 4 em cada 10 vacinados se disseram brancos (4,2 brasileiros a cada 10 são brancos).

Alexandre da Silva destacou ainda o alto número de vacinações em relação a qual não há registro sobre a cor dos pacientes. De acordo com ele, é possível que muitos desses vacinados sejam pretos ou pardos. Segundo o especialista, durante toda a pandemia, o preenchimento do campo sobre cor tem sido feito de forma que impede uma análise ampla do impacto da doença entre negros.