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29 de novembro de 2021
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Priscila Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Aproveitando as redes sociais como um espaço para divulgação e dicas de leitura, o Mestre em História da África da Diáspora e dos Povos Indígenas pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia- UFRB , Marcos Cajé, tem usado o Instagram como ponto de incentivo ao mundo literário negro. Com um foco voltado para público infantojuvenil, o professor baiano de 43 anos, que também é escritor, é engajado em ações com temáticas voltadas à leitura e já escreveu obras como, “Afro-contos: ler e ouvir para transformar”, “Zula: a guerreira e “Ara O menino Trovão”.

“A ideia surgiu em 2017 quando o Facebook se tornou uma rede social muito angustiante e no Instagram senti um local onde poderia mostrar o lado professor e escritor”, conta Marcos que afirma a existência de uma dicotomia relevante onde muitos jovens deixam de ler para se inserirem no mundo virtual. No entanto, esse mundo virtual também pode ser usado como um caminho para a leitura.

“A rede social fortalece muito a leitura para jovens, basta saber usá-la. Podemos transformar essa realidade como ferramenta a favor do conhecimento. Temos a facilidade de várias leituras, como e-book. Além de livros físicos variados, é possível encontrar resenhas também, enfim, é interessante essa fusão”, explica o professor.

Os livros buscam fortalecer o movimento negro (Reprodução/Instagram)

Literatura afro-fantástica

A literatura afro-fantástica basicamente brinca e desperta o lado imaginário do leitor. Sempre aliada à informação, algum tipo de curiosidade, reflexão, ela costuma ter uma boa troca com o público juvenil e infantil. Na literatura afro-fantástica, o negro vem como protagonista, seja ele vilão, super-herói, mocinho, feiticeiro ou qualquer outra narrativa em que ele esteja inserido.

“É um conceito que aplico nas produções artísticas do corpo negro e negra com elementos da realidade, se misturando, com fatos históricos, míticos, lendas e folclore, políticos, onde essas combinações geram uma narrativa nova diante do personagem negro e negra, onde busco explorar novas vertentes e noções da realidade, fazendo esse ser negro ser um protagonista e fazendo desse protagonismo cultural negro uma força. A literatura afro-fantástica brinca com o sistema imagéticos e lógico-científico”, explica o mestre.

Das obras e dicas

De acordo como o professor, o critério para postar as obras, que servirão de dicas na rede social, são livros que buscam fortalecer o movimento negro e, em especial, livros escritos por mulheres negras. “São livros que gosto de ler, sejam acadêmicos ou livros de romance de vários gêneros e principalmente fantasia e contos”, pontua.

Dentre as obras preferidas postadas, o escritor destaca o livro “Makeba vai à escola” é uma escrita que acolhe e que traz a evolução de uma menina preta na descoberta de um mundo novo, que é a escola. Ele destaca também a poesia de Davi Nunes, intitulada de Banzo. Ele classifica como um livro de resistência com singularidade e potência. Nos destaques, o professor também chama atenção para o romance de “Chimamanda”, um livro que retrata a Nigéria atual, trazendo política, costumes e retratando a família.

Algumas obras escritas por Marcos Cajé (Reprodução/ Instagram)

“Literatura negra em ebulição”

“E temos uma leitura negra em crescimento, se encruzilhando nos saberes e fazeres, sejam eles ancestrais e mitológicos, afro-afetivos, poéticos e infantis! A sabedoria da oralidade negra vai alentando a escrita impressa. A literatura negra infantojuvenil hoje é a axiologia visível e intangível supernecessária para nosso povo preto”, finaliza.