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2 de dezembro de 2021
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Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Análises divulgadas nessa sexta-feira, 26, feitas em imagens de satélite pela agência de notícia britânica Reuters trouxeram à tona uma problemática antiga, mas que de uns tempos para cá tomou proporções maiores: a corrida ilegal pelo ouro na floresta amazônica. Como se não bastassem os danos ao Meio Ambiente, a prática ameaça também índios Yanomamis que vivem no Norte do Brasil.

Para se ter uma ideia, a exploração devastadora dos minérios causa contaminação dos indígenas por mercúrio, assoreamento e poluição de rios e destruição de parte da floresta. Além de fortes interferências no modo de vida das comunidades, ocasionando a desorganização social, transmitindo doenças e colocando a população em situação de vulnerabilidade.

O documento pela qual REVISTA CENARIUM teve acesso mostra um aumento de 20 vezes da mineração ilegal na reserva Yanomami, nos últimos 5 anos, principalmente ao longo de dois rios, o Uraricoera e o Mucajaí. Somadas, as áreas de mineração cobrem oito quilômetros quadrados, o equivalente a 1 mil campos de futebol.

Outra grande preocupação referente à ação garimpeira é o risco que correm os indígenas isolados na região. A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirma a existência de um povo isolado e estuda a de outros seis cujos vestígios já foram registrados. “Essas populações, além de sujeitas a conflitos com garimpeiros, também estão mais suscetíveis a doenças comuns entre os não-indígenas, podendo uma simples gripe dizimar vários integrantes de um grupo”, diz o órgão indígena.

Estrutura de um dos garimpos ilegais na TI Yanomami. (Funai/ Divulgação)

Segundo a Funai, mais de 26.700 pessoas vivem em uma reserva protegida, com tamanho equivalente ao território de Portugal, perto da fronteira com a Venezuela. O povo Yanomâmi é o maior da América do Sul que ainda permanece relativamente isolado do mundo externo.

O levantamento da Reuters traz ainda que, atualmente, Yanomamis e autoridades locais estimam que haja mais de 20 mil garimpeiros ilegais em suas terras e que o número cresceu desde a eleição do presidente Jair Bolsonaro, que prometeu desenvolver economicamente a Amazônia e liberar a mineração.