27 de fevereiro de 2021

Com informações O Globo

SÃO PAULO – A ministra da Saúde do Peru, Pilar Mazzetti, renunciou nessa sexta-feira, 12, em meio à polêmica após a denúncia de que o ex-presidente Martín Vizcarra foi vacinado contra a Covid-19 meses antes de começar a imunização no país, informou a televisão pública. A renúncia acontece em meio ao caos que a saúde pública do país enfrenta por falta de oxigênio.

“A doutora Pilar Mazzetti renunciou ao cargo de ministra da Saúde após apresentar uma carta ao presidente Francisco Sagasti”, disse em seu site a TV Peru, a rede estatal de televisão, mas o governo manteve silêncio até o momento. O sucessor de Mazzetti, que tomaria posse neste sábado, segundo a mídia local, será o quinto ministro da Saúde desde que a pandemia surgiu no Peru há 11 meses. Deve assumir o cargo enquanto o país enfrenta os embates da segunda onda da pandemia com um recorde de 14.333 pacientes com covid-19 em seus hospitais, segundo o balanço oficial.

O sucessor de Mazzetti, que tomaria posse neste sábado segundo a mídia local, será o quinto ministro da Saúde desde que a pandemia surgiu no Peru há 11 meses. Deve assumir o cargo enquanto o país enfrenta os embates da segunda onda da pandemia, com um recorde de 14.333 pacientes com covid-19 em seus hospitais, segundo o balanço oficial.

A tempestade política que levou à renúncia de Mazzetti foi desencadeada na quinta-feira, quando um jornal de Lima publicou que Vizcarra foi vacinado contra a covid-19 em outubro, semanas antes de ser destituído pelo Congresso em um julgamento político relâmpago.

A vacinação no país começou apenas nessa terça-feira e está direcionada por enquanto aos profissionais da saúde. O popular ex-presidente (2018-2020), que busca uma cadeira no Congresso nas eleições de 11 de abril, se defendeu alegando que foi voluntário no ensaio clínico da vacina chinesa da Sinopharm no país, como milhares de outros peruanos.

Mazzetti declarou ao Congresso na quinta-feira que não tinha “nenhum conhecimento” do caso do ex-presidente. “Não me foi informado que o senhor Martín Vizcarra recebeu a vacina, ele, sua esposa e outro familiar”, afirmou.

Crise de oxigênio

No domingo, uma nova quarentena começou por duas semanas em dez departamentos do país onde a pandemia é classificada pelo governo como de “situação extrema”. Entre eles, Lima e Callao, o porto peruano onde a população enfrenta a odisseia de encontrar um cilíndro de oxigênio para pacientes com o coronavírus.

O preço de um concentrador de fluxo de cinco litros equivale a mais de dois salários mínimos no Peru. E o depósito de 500 soles para alugar um cilindro de cinco metros cúbicos é quase a metade do salário mínimo mensal.

Os concentradores de oxigênio medicinal não precisam de recarga, mas exigem eletricidade contínua e estão à venda em algumas lojas de eletrodomésticos, mas também em sites de vendas não regulamentados no Facebook e em outras redes sociais. Assim como alguns pacientes da Covid-19 vão para hospitais e não encontram leito, outros, com recursos econômicos, evitam ir ao hospital e buscam oxigênio por conta própria, seja em balões de 10 metros cúbicos, seja em cânulas e outros aparelhos de oxigenação não invasivos.

Pessoas fazem fila para reabastecer seus cilindros vazios de oxigênio em Callao, Peru (Reprodução/ Ernesto Benavides)

Na primeira onda da pandemia no Peru, centenas de pessoas morreram por falta de oxigênio ou porque os preços dos cilindros recarregáveis aumentaram até serem inatingíveis para a maioria. Igrejas, governos regionais, empresas e artistas fizeram campanhas de doação para instalar usinas de oxigênio em todas as regiões. Desta vez, há mais oxigênio nas unidades de saúde, mas as equipes e os leitos de internação e cuidados intensivos não são suficientes para atender a demanda.