Moradora de Guajará, no AM, denuncia descaso na saúde pública em meio ao medo da Covid-19

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Moradores do município de Guajará, na calha do rio Juruá (a 1.492 quilômetros de Manaus), procuraram a REVISTA CENARIUM para denunciar o descaso da saúde pública na cidade, em meio ao medo de contágio da pandemia do novo Coronavírus, doença que causa a Covid-19 e que já matou mais de 1,1 mil pessoas em todo o Amazonas.

Na tarde de quarta-feira, 13, por meio da página oficial da prefeitura de Guajará, o prefeito Ordean Silva (PR) confirmou os primeiros seis casos de Covid-19 na cidade. Mais tarde, por volta das 18h29, a prefeitura atualizou os dados e confirmou oito pessoas infectadas.

“Estamos preocupados com a situação, estivemos com o Ministério Público do Município, com a polícia militar e civil para endurecermos as medidas sociais. Quero encarecidamente ao povo do interior que não venha para Guajará ou Cruzeiro do Sul, fique em casa”, disse o prefeito.

Até o momento, Guajará fazia parte de um seleto grupo de municípios do interior que ainda não tinha casos confirmados da pandemia. A confirmação deixou moradores do local ainda mais preocupados.

Segundo a moradora, que preferiu não se identificar com medo de represálias, o Hospital João Barbosa, do município, que está recebendo adaptações para atender os casos de Covid-19, não tem estrutura para atender pacientes com o vírus.

Além do hospital da cidade, ela denuncia a falta de estrutura dos três postos de saúde do município e o escasso atendimento nas unidades hospitalares, em decorrência da pandemia. “Esqueceram que a região é endêmica de malária, dengue e viroses”, diz ela.

“Não vemos na cidade higienização, as pessoas se aglomeram nos postos bancários sem seguirem o distanciamento adequado, não há orientação e a maioria das pessoas não usam máscaras”, descreve.

Demora na fiscalização

A denunciante relata, ainda, a demora na instalação de medidas preventivas no município e cobra resposta dos representantes da saúde de Guajará. Conforme ela, desde a chegada do vírus no estado, a prefeitura tem sido omissa quanto a adoção de ações contra a Covid-19 e que, somente com a confirmação dos primeiros casos na cidade, Guajará começou a se preocupar.

“Não conseguimos perceber as ações da prefeitura, mas se houverem, não são transparentes, eles são reservados e demoram para divulgar os casos. Continua a movimentação na cidade normalmente, o comercio não essencial continua aberto. Não está tendo nenhuma ação mais emergente de combate ao vírus”, finaliza.

Inspeção

Na última semana, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) identificou uma série de irregularidades e inadequações nos prédios e nas condições de funcionamento da Unidade Básica de Saúde Maurício Sabino da Silva e do Hospital João Barbosa, após inspeção realizada pela Promotoria de Justiça de Guajará.

Ainda segundo o órgão ministerial, a UBS Maurício Sabino da Silva funciona em um prédio adaptado, cujas dependências são insuficientes para abrigar os diversos serviços prestados, e o Hospital, diz o MP-AM, vem funcionando sem diretor técnico médico e sem alvarás da Vigilância Sanitária e do Corpo de Bombeiros.

“Os casos graves suspeitos já estão sendo encaminhados para Cruzeiro (do Sul) porque não tem como encaminhar para Eirunepé que é a cidade polo de referência. Não há meio de transporte para lá, apesar de ser esse o absurdo plano da SUSAM”, declarou o Promotor de Justiça Iranilson de Araújo Ribeiro ao Ministério Público.

O MP-AM diz, ainda, que a UBS Maurício Sabino da Silva, instalada em um prédio adaptado, não realiza exames de raio-x, “não dispõe de espaços específicos para a realização de serviços como nebulização, recepção, lavagem, descontaminação e esterilização de materiais e equipamentos”.

Sem retorno

A REVISTA CENARIUM entrou em contato com a prefeitura de Guajará, por meio dos seguintes contatos, com finais: XXXX-X917; XXXX-X104; XXXX-X404; XXXX-X002; e XXXX-X000. Até a publicação desta matéria, não obteve retorno.

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