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26 de janeiro de 2022
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Da Revista Cenarium*

MANAUS – Morreu na última quinta-feira, 18, em Manaus, vítima da Covid-19, Higino Pimentel Tenório, liderança tuyuka do Alto Rio Negro.

Higino era um profundo conhecedor da cultura Tuiuka e articulador estratégico para garantir a perpetuação do pensamento indígena.

Mestre das relações com o mundo exterior, trouxe os mais diversos pesquisadores – antropólogos, matemáticos, linguistas, educadores, arqueólogos, biólogos – para construir um modelo inovador de educação indígena no Alto rio Tiquié.

Tornou consultor especialista no assunto. Contribuiu ainda com o movimento indígena – notadamente com a FOIRN e outras organizações da Amazônia – para defender a resistência ao modelo hegemônico de desenvolvimento predatório da Amazônia.

Fez viagens nacionais e internacionais como porta-voz dos povos do Rio Negro no debate sobre educação diferenciada, mudanças climáticas, dentre outros temas.

Mente brilhante

Higino demonstrava uma mente brilhante que sabia caminhar por diferentes mundos. Embora tenha estudado somente o magistério, foi professor de muitos doutores.

Esteve diretamente envolvido com a elaboração de algumas teses da antropologia e foi convidado para ser interlocutor de eventos acadêmicos dessa área.

O líder tribal também contribuiu muito com a arqueologia, como coautor de artigos, coorientador de pesquisas interculturais da Ufam e como consultor de projetos de grande porte coordenados por renomados pesquisadores da arqueologia de diferentes instituições.

Recentemente, foi reconhecido em âmbito nacional como membro honorário da Sociedade Brasileira de Arte Rupestre e internacionalmente como o primeiro pesquisador indígena de arte rupestre no Brasil, pela IFRAO.

Era considerado um diplomata do Rio Negro que soube refletir os desafios do mundo contemporâneo a partir da perspectiva indígena.

Além disso, era um entusiasta de ideias inovadoras que valorizassem a profundidade dos conhecimentos.

(*) Com informações da assessoria