Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
18 de novembro de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
image/svg+xml
Com informações do Infoglobo

BRASÍLIA — O Registro Civil 2020 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) catalogou 1.513.575 mortes no ano passado. Considerando apenas registros com os dados de sexo e idade, foram contados 195.965 óbitos a mais em relação ao ano anterior. Resumindo: nunca morreu tanta gente no Brasil como em 2020, ano marcado na história mundial pela pandemia da Covid-19. Estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que é o maior contingente de mortes da história recente do País.

Ao todo, foram registradas 195.965 mortes a mais no País na comparação com 2019, o que corresponde a um aumento de 14,9% dos registros de óbitos – maior aumento, tanto em número absoluto quanto em percentuais, desde 1984, quando teve início a série histórica das Estatísticas do Registro Civil feita pelo IBGE.

O número de mortes a mais que o registrado em 2019 coincide com total de mortos em decorrência da Covid-19 contabilizado pelo Consórcio de Veículos de imprensa – foram 195.441, conforme balanço divulgado no dia 1º de janeiro de 2021. Como são levantamentos com fontes e metodologias diferentes, porém, não é possível estabelecer uma relação direta entre os números.

Até essa quarta-feira, 17, o Brasil registrava 611.898 mortes desde o início da pandemia, sendo que a grande maioria desse total de óbitos (68%) ocorreu em 2021.

Entre os óbitos registrados em 2020, 73,5% aconteceram em hospitais, 20,7% em domicílios e em 5,8% não houve declaração ou houve outro local de ocorrência declarado. Segundo relatório do IBGE, a parcela de óbitos que elevou o registro em relação a 2019 pode ser atribuída a “causas naturais”. Essa categoria, informou o instituto, incluiu os óbitos decorrentes da Covid-19. Outro fator relevante é que a maior parte dos registros foi daqueles que tinham 60 anos ou mais, que concentraram 75,8% da variação no ano.

Já o número de óbitos entre menores de 15 anos teve baixa de 15,1% em 2020. Os registros de óbitos de menores de um ano tiveram queda de 13,9% no último ano. Entre crianças de um a quatro anos, a regressão foi de 23,7%.

O IBGE registrou ainda aumento de 16,7% no número de mortes de homens e de 12,7% de mulheres. A mortalidade masculina é historicamente superior à feminina nas séries do Registro Civil. Para os óbitos por causas naturais, as mortes dos homens de 20 a 24 anos foram 2,1 vezes maiores que as das mulheres nessa faixa etária.

Todas as regiões tiveram alta no número de óbitos. Os maiores aumentos, entretanto, foram registrados no Norte (25,9%), no Centro-Oeste (20,4%) e no Nordeste (16,8%).

Registros de casamentos caíram em 2020

O Registro Civil 2020 mostrou que o Brasil teve queda no número de casamentos entre 2019 e 2020. Ao todo, foram contabilizados 757.179 ca­samentos civis, uma redução de 26,1% em relação ao ano anterior. Apesar da queda nos registros ser observada desde 2016, acredita-se que em 2020 essa variável foi afetada pelo isolamento social em decorrência da pandemia.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo caiu 29% em 2020 ante 2019,  a maior queda percentual dos casamentos da série. Casamentos entre duas pessoas do sexo feminino representam 60,1% dos  6.433 casamentos civis nessa composição conjugal no último ano.

No Brasil, para cada mil habitantes em idade de casar, 4,5 pessoas se uniram por meio do casamento legal em 2020,foi a menor taxa de nupcialidade da série. A diferença das idades médias dos cônjuges, nos casamentos de pessoas solteiras de sexos diferentes é de aproximadamente dois anos: os homens se uniram, em média, aos 30 anos, e as mulheres, aos 28 anos. Quanto aos casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, a idade média ao contrair a união foi de aproximadamente 34 anos entre os homens e 32 anos entre as mulheres.

O número de casamentos registrados em cartório recuou em todas as regiões, com mais intensidade no Nordeste (27,8%), Centro-Oeste (27,7%) e Sudeste (27,3%).

Brasileiras tiveram menos filhos durante pandemia

Os registros de nascimento também caíram em 2020. Foram 2.728.273 nascimentos em 2020, uma queda de 4,7% ante 2019.Desse total, 2.678.992 se referem a crianças nascidas em 2020 e registradas até o 1º trimestre de 2021. Cerca de 2% são nascidos em anos anteriores ou com o ano de nascimento ignorado.

As regiões Norte e Nordeste tiveram queda superior à média nacional. Já as regiões  Centro-Oeste, Sudeste e Sul tiveram queda igual ou inferior à média nacional.

A taxa de mães com menos de 20 anos ficou em 13,4%. As mães entre 30 e 39 anos somam 22%. A região Norte tem a maior proporção de mães jovens, um total de 19,5%.