Em menos de cinco dias, outro motoboy é ameaçado por cliente durante entrega no AM

Ívina Garcia – Da Revista Cenarium

MANAUS – Mais um motoboy sofreu ameaças e ofensas em Manaus, o novo caso aconteceu na tarde desta terça-feira, 8, quando Luciano Mendonça da Silva, 28 anos, fazia sua terceira entrega do dia, no bairro Cidade Nova, zona Norte da capital.

Ele trabalha para um site de compras online e estava tendo problemas para localizar o endereço de uma das entregas. O cliente mandou pelo menos duas localizações diferentes antes de finalmente conseguir passar o endereço correto para o entregador que, de acordo com ele, ao chegar no local, encontrou o homem alterado.

Luciano conta que foi xingado e hostilizado e, assim que chegou no endereço, o homem estava com um facão. “Ele saiu com um facão na mão e saiu falando um palavrão. Ele disse ‘aqui que é meu endereço por**’, e veio na minha direção falando que o endereço dele estava certo no aplicativo e dizendo que não estava errado”, relatou.

O motoboy revela ainda que tentou com calma explicar que o endereço que havia passado não estava dando certo, mas o homem estava fora de controle. “Foi nessa hora que eu comecei a gravar e ele fala que já tinha botado outros para correr e que já tinha cortado alguns, e pra cortar outras pessoas não custava”, continua relatando o profissional.

Entenda o caso

Luciano entrou em contato, por volta das 9h, com o cliente para realizar a entrega, mas como ele não estava em casa, priorizou os outros pacotes. Assim que o cliente mandou a localização, o motoboy se deslocou até o endereço.

“Ele disse que me ameaçou por causa da demora, mas eu não demorei, quando entrei em contato com ele para realizar a entrega ele ainda não estava em casa, pedi para que me mandasse a localização quando chegasse, foi quando ele mandou a primeira que deu errado.”

Depois de gravar o vídeo com as ameaças, Luciano foi até o 6° Distrito Integrado de Polícia (DIP), localizado na Zona Norte, bem próximo ao local onde foi feita a entrega e registrou um boletim de ocorrência. De acordo com o motoboy, o homem que aparece fazendo as ameaças no vídeo ainda não prestou depoimento.

Agressão recente

No sábado, 5, outro motoboy, identificado como Henry, também foi agredido ao realizar uma entrega no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, ao cobrar o valor da entrega. A ação foi gravada por testemunhas. No vídeo, registrado por uma mulher que presenciava toda a situação, o entregador é jogado no chão e logo após é imobilizado. “Ei, moço, deixa ele. Ele ‘tá’ só fazendo o trabalho dele, não faz isso não”, pede. O cliente olha para a mulher e diz estar ciente da agressão.

Leia mais: Vídeo: entregador de delivery é agredido por cliente em Manaus

Manifestação

Amigos de Luciano e também trabalhadores de entregas marcaram uma manifestação para as 22h da noite desta terça-feira, 8, em um posto de combustíveis no bairro Manoa, zona Norte de Manaus. Eles estão revoltados com as agressões cometidas contra os motoboys nos últimos dias.

Um dos organizadores do ‘buzinaço’, Flávio Rebeiro conversou com a REVISTA CENARIUM sobre os últimos casos de agressão a motoboys e destacou a sensação de impotência. “No início da quarentena, éramos considerados heróis ao trabalharmos em plena pandemia, agora somos tratados como lixos ou marginais, isso é muito triste.”

Ele também comentou sobre o ocorrido no último sábado, quando outro motoboy foi agredido fisicamente ao cobrar o pagamento da entrega. “Esperamos justiça pelo ocorrido aos nossos irmãos de pista. Queremos respeito aos pais de família que estão trabalhando dignamente”, afirma o organizador.

Além dos problemas com maus-tratos de clientes, Flávio pontua que a profissão não tem dado um retorno financeiro. “São problemas diários que passamos com o cliente, somos humilhados, discriminados, sofremos golpe de Pix, ameaça e agressões. Com os proprietários de lojas e aplicativos, temos as taxas baixas, assistência nenhuma, humilhação e trabalho em horário estendido. Com os aplicativos não temos assistência nenhuma, estão banindo motoboys por erros dos clientes, fora os preços altos da gasolina.”

Mesmo com todas essas dificuldades, Flávio diz que espera que em algum momento os profissionais sejam valorizados. “Estamos procurando melhorar a nossa classe, estamos sendo humilhados todos os dias, pais de família estão sendo tratados como marginais. Nossa profissão hoje é fundamental para a população”, finaliza.

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