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20 de outubro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A fala do vice-presidente da República e titular do Conselho Nacional da Amazônia Legal, general Hamilton Mourão (PRTB), nessa segunda-feira, 30, reconhecendo um atraso do governo Bolsonaro nas ações de combate ao desmatamento na Amazônia, repercutiu nacionalmente e foi criticada por especialistas da área do meio ambiente.

Nas redes sociais, o ambientalista Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, criticou a postura do general sobre o aumento do desmatamento da Amazônia. Para ele, os números da devastação são tratados com indiferença.

“Mourão falou por menos de cinco minutos e não apresentou plano, solução, meta, nada. O ministro do meio ambiente sequer estava lá. Dá a exata noção de como tratam o assunto: e daí?”, desabafou, em uma publicação no Twitter.

Astrini completou em outro post: “Acabaram de fazer uma segunda coletiva. Mourão apresentou planos ou metas? Não. Alguma estratégia para combater o desmatamento? Nada. Simplesmente jogaram o número do desmatamento na mesa e o País que se vire com isso. Não estão nem aí”, publicou.

Pressão

À REVISTA CENARIUM, o ambientalista mestre em Ecologia, Carlos Durigan, diretor da Associação Conservação da Vida Silvestre (WCS Brasil), explicou que o aumento do desmatamento ocorre em meio à pressão para a ocupação ilegal da floresta amazônica.

Para ele, o modelo de desenvolvimento sustentável que está sendo imposto para a região é o principal responsável pelo cenário de desmatamento atual e que, se nada for feito, a tendência é que o aumento da desvastação aumente a cada ano.

“A fiscalização, isoladamente, não resolve problema. É preciso haver um plano forte e estratégico, com envolvimento local, para que, de fato, nós tenhamos planos e ações bem embasadas para reverter esse cenário de degradação”, salientou.

O atraso

A declaração de Mourão foi feita nessa segunda-feira, 30, em entrevista coletiva, após visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de São José dos Campos, no interior de São Paulo, que divulgou dados do sistema do Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), revelando que o desmatamento na Amazônia Legal avançou em 9,5% em relação ao ano passado, e atingindo o maior patamar desde 2008.

Mourão, que estava acompanhado do diretor do instituto, Clezio de Nardin, e do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, ao ser questionado pela a imprensa sobre os dados do desmatamento admitiu atraso nas ações de combate.

“Desde o momento em que o Conselho Nacional da Amazônia Legal iniciou suas atividades e quando nós conseguimos lançar a Operação Verde Brasil 2, que ocorreu em maio, eu deixei bem muito claro para todos que nós tínhamos começado atrasado”, admitiu o vice-presidente.

O general, no entanto, disse ainda que se não fossem as medidas do governo, a devastação na Amazônia seria ainda pior, podendo ser em, pelo menos, 10% a mais do que os dados registrados pelo Inpe.

“As estimativas que tínhamos eram mais negativas ainda para esse resultado que está sendo apresentado, com aumento de 20% em relação ao ano passado”, declarou. Para Mourão, mesmo com registrando o número menos do que o esperando, ainda não é algo a se comemorar.

“O nosso estado final desejado era de não não ter mais desmatamento ilegal na Amazônia, em hipótese nenhuma. Iremos continuar com a operação [Verde Brasil 2], que está estendida até abril do ano que vem. Já estamos planejando operações utilizando os meios disponíveis, que sabemos da situação fiscal do País e as dificuldades de conseguir alocar mais recursos para esse tipo de atividade”, salientou o vice-presidente.