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28 de novembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Cenarium

MANAUS – O conselho político do movimento Direitos Já – Fórum pela Democracia anunciou, nesta quarta-feira, 8, que é a favor do impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), após as manifestações antidemocráticas promovidas por ele no dia 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil. Em reunião na noite de terça-feira, 7, que contou com personalidades políticas de partidos como o PT e PSDB, o grupo decidiu que fará um protesto internacional e um ato para unir os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso.

Segundo a colunista Vera Magalhães, do jornal O Globo, ficou definido um calendário que ocupa todo o mês de setembro com ações a favor da destituição de Bolsonaro. Na agenda, está o ato internacional que contará com políticos e intelectuais contra Bolsonaro, um novo pedido de impeachment e um pedido de uma audiência para pressionar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

A reunião contou com a participação da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, a ex-senadora e ex-presidenciável Marina Silva (Rede), o vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede), o senador José Aníbal (PSDB), o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT), além de representantes do DEM, PSB, PSL, PV, Cidadania, entre outros.

Manifestantes seguram faixa pedindo saída de Bolsonaro da Presidência em protesto, no Centro do Rio (Pliar Olivares/Reuters)

Resposta contundente

Em nota pública, o movimento diz que a versão bolsonarista para o 7 de Setembro de 2021 exige uma resposta contundente das forças democráticas brasileiras e que não há mais como justificar qualquer tipo de tolerância ao projeto golpista do presidente.

O Direitos Já declara ainda ser necessário que seja retirado qualquer sustentação ao ato antidemocrático, pois são inaceitáveis as ameaças explícitas a outro poder, assim como o uso de recursos públicos para fomentar ataques à democracia, ao sistema de votação eletrônica e para a promoção eleitoral.

“Seguindo em seus esforços de união amplíssima contra a escalada autoritária do bolsonarismo, o Direitos Já! Fórum pela Democracia se posiciona em desagravo ao STF, ao Tribunal Superior Eleitoral, conclama a sociedade brasileira a vocalizar um sonoro não a estas pretensões tirânicas e assume posicionamento em defesa do impedimento de Bolsonaro”, diz trecho da nota.

Fernando Henrique Cardoso cumprimenta Lula durante encontro (Ricardo Stuckert/Reprodução)

Democracia

Para o Direitos Já, aqueles que não se posicionarem a favor da democracia e das instituições brasileiras estarão fazendo uma escolha histórica pela arbitrariedade e somarão à atitude ilegal de Bolsonaro, que promete descumprir decisões do Supremo Tribunal Federal. “Uma vez rasgada a Constituição desta forma, o que restará? E de qual lado estarão as forças políticas, sociais e econômicas que têm silenciado diante de seguidos ataques e ameaças promovidos pela extrema-direita no Brasil?”, questiona o grupo.

Ainda de acordo com a nota, a urgência deveria ser o enfrentamento da pandemia, da fome, do desemprego, bem como da desigualdade, assim como da inflação desenfreada, da crise hídrica e energética, reflexo da política ambiental do País. “São enormes os desafios para a reconstrução do Brasil e o presidente não apresenta condições mínimas para liderar esses esforços. A sociedade brasileira clama por independência, democracia, autonomia, justiça social e paz. Que as instituições cumpram o seu papel de forma exemplar e este 7 de Setembro seja para sempre símbolo de um ponto de virada, do início da superação desse projeto insensato e despótico”, reforça a nota do movimento.

Trecho do manifesto coletivo da iniciativa Direitos Já (Reprodução/Facebook)

Relações internacionais

Na análise do advogado, sociólogo e cientista político Carlos Santiago, uma eventual aproximação de Fernando Henrique Cardoso e Lula, dentro do atual contexto político brasileiro, pode oferecer uma saída das condições vivenciadas pelo Brasil, atualmente: o isolamento internacional e, interno, com uma grave crise institucional.

“A aproximação de Fernando Henrique Cardoso e Lula, dentro do atual contexto político, pode oferecer uma saída das condições do Brasil hoje: isolado internacionalmente e, internamente, com grave crise institucional”

Carlos Santiago, advogado, sociólogo e cientista político

“A união de forças políticas para afastar e até derrotar nas urnas as movimentações e as personalidades que não respeitam os valores democráticos e o Estado Democrático de Direito, é importante. Essa união política com valores ideológicos diversos já aconteceu, no movimento pela redemocratização do Brasil, na década de 1980”, destaca Santiago.

Para o especialista, o momento não é de divergências, mas de convergências. Segundo Carlos Santiago, os ex-presidentes Lula e FHC não têm a mesma origem social, mas são democratas, o que deve favorecer o laço entre os dois. O sociólogo reforça também que os eventos programados para setembro a favor do respeito das instituições de Estado são formas dos brasileiros conhecerem as posturas das lideranças políticas do País.

“Os eventos agendados pela manutenção da democracia e pelo respeito às instituições de Estado são formas dos brasileiros conhecerem as posturas das lideranças políticas do País. O contorno internacional dos eventos de setembro das oposições se deve à importância do Brasil na região e no mundo. Qualquer quebra do sistema político terá impacto nas relações internacionais.”, conclui.