MP denuncia influenciadora que relacionou tragédia no RS com religiões de matriz africana

Da Revista Cenarium*

MANAUS (AM) – O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) denunciou a influenciadora Michele Dias Abreu, de 43 anos, por intolerância religiosa, por associar a tragédia no Estado do Rio Grande do Sul a religiões de matriz africana.

Michele publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que as enchentes causadas pelas chuvas que causou a morte de 154 pessoas é resultado da “ira de Deus”, devido à grande quantidade de “terreiros de macumba” no Estado. O vídeo chegou a três milhões de visualizações, segundo o Ministério Público.

“O estado do Rio Grande do Sul é o estado com maior número de terreiros de macumba. Alguns profetas já estavam anunciando algo que iria acontecer devido à ira de Deus. As pessoas estão brincando […] misturando aquilo que é santo, e Deus não divide sua honra com ninguém”, afirmou a influenciadora.

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Na denúncia, a promotora de Justiça Ana Bárbara Canedo Oliveira afirma que, ao proferir esses dizeres, na condição de titular de perfil público e com milhares de seguidores, além de praticar o crime, a mulher também induziu outras milhares de pessoas.

O MPMG também pede que a mulher fique proibida de sair do país sem autorização judicial e de fazer novas postagens sobre religiões de matriz africana ou com conteúdos falsos relacionados à tragédia no Rio Grande do Sul. Após a repercussão negativa, a influenciadora privou as redes sociais. Em seu canal em uma plataforma de vídeos, a acusada se apresenta como diretora de uma rede de laboratórios em Minas Gerais.

Punição para intolerância

As religiões de matriz africana são o alvo mais frequente de quem não respeita a liberdade de crença. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos, só em 2022 foram 1.200 ataques – um aumento de 45% em relação a 2020.

A punição para crimes de intolerância religiosa no Brasil é a mesma prevista para o crime de racismo. Em janeiro de 2023, o presidente Lula (PT), sancionou a lei que equipara o crime de injúria racial ao de racismo, que é inafiançável e imprescritível

Leia mais: Racismo religioso e intolerância religiosa: qual a diferença entre os crimes?
(*)Com informações da Carta Capital
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