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24 de novembro de 2021
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Com informações do Infoglobo

RIO DE JANEIRO – O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro vai investigar a nomeação, no dia 18, do funcionário aposentado do Banco do Brasil Ricardo Borda D’Água de Almeida Braga como diretor-geral do Arquivo Nacional. Ex-chefe de segurança do BB, ex-subsecretário de Segurança Pública do Distrito Federal, atirador esportivo e agraciado como “colaborador emérito” do Exército, Borda D’Água é visto como um estranho no setor. Sua nomeação aumenta as desconfianças sobre o destino de documentos públicos, especialmente os que tratam do período do regime militar.

Duas situações já causavam insegurança: a paralisação do projeto Memórias Reveladas, baseado nos arquivos da ditadura, e a edição de um decreto e de uma portaria que mudaram o sistema da gestão de documentos e arquivos. As repartições federais foram desobrigadas de pedir autorização do Arquivo antes de eliminar um documento. No caso do Memórias Reveladas, autores premiados em 2017 ainda não tiveram os projetos editados em livro, como previa o regulamento.

Arquivistas, historiadores e pesquisadores lançaram o abaixo-assinado “Queima de arquivo, não” para pedir a destituição de Borda D’Água e a nomeação de alguém com qualificação técnica e experiência, conforme o decreto que fixa os critérios e o perfil profissional para cargos de direção. “Não é razoável que o Arquivo Nacional seja dirigido por um indivíduo em cujo currículo não há qualquer menção de atuação com gestão de documentos”, diz o texto.

Borda D’Água trabalhou de 1981 a 2013 no Banco do Brasil, onde foi gerente regional de Segurança no Rio de Janeiro e fez parte de um comitê que determinava ações disciplinares contra funcionários. No governo de Ibaneis Rocha no Distrito Federal, foi subsecretário de Prevenção à Criminalidade. De julho de 2019 a fevereiro de 2020, foi dono da RB Consultoria e Treinamento em Segurança.

Borda d’Água é ranqueado na Confederação Brasileira de Tiro Prático e membro do Clube de Tiro Colt 45. O novo diretor-geral do AN tem ainda diploma de colaborador emérito do Exército, de 2007.