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28 de janeiro de 2022
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Michelle Portela – Da Revista Cenarium*

BRASÍLIA – Adaptadas ao universo virtual desde antes da pandemia, feministas das cidades, do campo e da floresta na Amazônia se articulam para travar disputas por direitos das mulheres compondo coletivos feministas. Com suas ações, estes grupos impactam a discussão sobre identidade, raça e gênero na região, debatem candidaturas políticas e podem influenciar os rumos das próximas eleições.

Atualmente com trinta integrantes que já atuavam na cena de quadrinhos de Manaus, o grupo MáTinta HQ surgiu após uma viagem de um grupo de ilustradoras amazonenses ao Festival Internacional de Quadrinho (FIQ), em 2018, realizado em Belo Horizonte, em Minas Gerais.

De acordo com Sarah Farias, ilustradora e coordenadora do grupo, elas estavam incomodadas não apenas com as barreiras de acesso ao mercado, mas com o isolamento das mulheres num universo predominantemente masculino.

“Percebemos que, mesmo que o público dos nossos eventos fosse heterogêneo, a produção era majoritariamente masculina. Depois que fomos em grupo pro FIQ 2018, vimos que o cenário nacional tinha uma paridade na quantidade de homens e mulheres produzindo. Decidimos iniciar o coletivo como uma forma de estimular mulheres que tivessem interesse em quadrinhos a produzir. Fizemos uma chamada nas redes sociais para mulheres interessadas na produção de quadrinhos e já temos trinta integrantes”, explica.

A bandeira é feminista, afirma Sarah. “Tentamos sempre contar histórias do ponto de vista de mulheres, seja qual for o gênero da obra, terror, ficção científica, romance, etc.”. E o tema Amazônia é um peso a favor. “Entendemos que estarmos sob o título de ‘um grupo de mulheres manauaras fazendo quadrinhos’ é algo maior que sermos apenas a ‘fulana’ fazendo quadrinhos”, disse.

A iniciativa também funciona como uma rede de apoio mútuo. As autoras trocam os trabalhos entre si e os levam para as feiras de que participam. Assim, a produção diversificada se distribui pelo país. “O objetivo do grupo é servir como plataforma para projetar carreiras, assim como promover contatos e estimular a criação de redes profissionais. Hoje nós já temos contatos com editoras, algumas de nós já estão prestando serviços no mercado profissional”, finaliza.

Banzeiro

A Marcha das Vadias, realizada no dia 8 de março de cada ano, rendeu seus frutos no Amazonas. Entre os anos de 2011 e 2012, nasceu o Coletivo Feminista Baré, depois transformado em Coletiva Banzeiro Feminista, em 2018. O objetivo do grupo, além de promover o feminismo, é ser reconhecido como um ponto de apoio a mulheres e meninas transexuais e cis.

“Não temos interesse em competir em cargos públicos, mas muito mais promover uma ação transformadora nas comunidades. Agir sobre as questões que nos afligem, como a violência contra a mulher, na Amazônia. Temos uma demanda sobre a questão territorial, sobre como as mulheres da Amazônia serão lidas pelo mundo”, explica Raescla Ribeiro, do Coletiva Feminista.

Na capital da Amazônia, Manaus, grupo feminista busca espaço desde antes da pandemia. (arquivo)

Para a educadora, apesar do pouco tempo de existência, o Coletiva Banzeiro tem muito a comemorar com as suas cinco integrantes. “Atuamos em diversos espaços, com oficinas, cinedebates e ações solidárias com outros grupos e coletivos. Durante a pandemia, estamos realizando ações específicas. Fizemos uma arrecadação de cestas básicas a mulheres chefes de família em situação de vulnerabilidade, além da distribuição de máscaras nas comunidades”, finaliza.

O mais audacioso projeto é o “Mana Escreve”, uma campanha editorial para publicar mulheres escritoras da cidade de Manaus.