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27 de outubro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS- Em épocas de crise e orçamento apertado, encontrar uma solução para aumentar a renda nem sempre é fácil e, empreender é o caminho para as mulheres que, por vezes, são a principal fonte de sustento da casa. Nesse sentido, os brechós podem ser uma alternativa para as que pretendem começar do zero sem ter muito capital.

Esse é o caso das amigas Stella Sarmento de 37 anos e Erikarla Sarmento, de 31 anos. Apesar de formadas em Arquitetura e Engenheira Civil respectivamente, elas viram no brechó a oportunidade de acrescer a renda familiar em meio à crise financeira. Com o investimento inicial pequeno, as “brecholeiras” revelam que a atividade, antes reservada ao final de semana, acabou expandindo significativamente.

“Vendíamos inicialmente para amigos e quando começamos a frequentar eventos para ter vendas mais significativas aos fins de semana, resolvemos aprimorar e investir cada vez mais. Hoje a ideia de renda extra, ficou pra trás e nosso negócio é responsável por 70% da nossa renda e os planos são fazer desse valor 100%”, explica Karla.

As peças são variadas e para todos os biotipos (Reprodução/ Arquivo Pessoal)

Mulheres empreendedoras

De acordo com dados divulgados pelo Sebrae, no Brasil, são cerca de 9, 3 milhões de mulheres que empreendem, o que significa 34% de donos de empresas em geral. A pesquisa também apontou que cerca de 16% delas tem grau de escolaridade superior se comparado aos dos homens. Mesmo com o avanço, os números ainda são pequenos e, dependendo do segmento, o ambiente pode ser hostil e nada receptivo.

Para as microempresárias, a sorte de ter o apoio de amigos e familiares deixou o início mais leve e foi, inclusive, um dos principais estímulos para a não desistência. “Costumamos dizer que aqui as ‘manas’ se apoiam muito. E o público sempre elogia o zelo, carinho e atenção dados e nossa competência. Isso nos fortalece e nos motiva a aprimorar cada vez mais o nosso negócio”, ressalta, a microempresária Karla.

Quebrando conceitos e inovando

Porém, apesar das boas-vindas, as dificuldades em meio à aceitação no ramo de vendas de roupas usadas ainda é uma realidade para quem pretende investir neste segmento. Uma das questões por essa resistência é o fator cultural.

Mesmo que presentemente o brechó esteja em alta, muitos se opõem à compra de peças usadas ou tidas como velhas. “De vez em quando ouço comentários e perguntas do tipo: “Muito caro para uma roupa velha” ou “Isso é roupa de defunto?”, revela.

 E como a vida de quem empreende exige, dentre diversos fatores, a criatividade, desmistificar e descontruir a ideia de que brechó só tem coisa velha e em condições de uso questionáveis foi a saída para a dupla. Elas deram para o ambiente um “ar de boutique”, aliado a um cenário amistoso o ajudou na hora de atrair a clientela.

Público-alvo e vantagens

Segundo as empreendedoras, a faixa etária do púbico atendido por elas é, em maior parte, de consumidores entre16 e 40 anos. “Enche nossos olhos de orgulho é ver que um adolescente ou um jovem gosta tanto do nosso produto e serviço que consegue levar a mãe, o pai e às vezes até os avós que são pessoas mais resistentes ao consumo das roupas usadas. E o melhor de tudo é que eles também viram clientes frequentes”, comemoram.

As peças passam por um processo de curadoria antes das vendas
(Reprodução/Arquivo Pessoal)

Além de estilos diversos, as modelagens que atendem todas as numerações de biotipos é uma vantagem de garimpar aquela peça charmosa no brechó por um preço acessível. Além disso, faz toda a diferença quando o assunto é consumo consciente resultando até na diminuição da quantidade de resíduos gerados pelas grandes indústrias de produção de roupas. E, claro, auxilia na movimentação da economia local.

Sonhe, planeje e arrisque

“O primeiro passo é tirar a vontade e os sonhos do papel, se programe, estude o mercado, ache seu público, estipule prazos. Sempre tenha novidades, trate o seu negócio com profissionalismo, cative seus clientes (ele são a fonte de tudo e sem eles não tem negócio) e esteja sempre à frente inovando com produtos, propaganda e afins. Tente se destacar, sirva de inspiração para vários negócios, encontre parceiros incríveis e não veja seu colega como concorrente. Afinal, tem público para todos”, sugere Karla.

Ela também ressalta a importância de união e apoio. “Muitas vezes, unir forças é melhor do que tentar desbravar tudo sozinho. Otimiza tempo e você fica muito mais satisfeito trocando ideias com pessoas que têm os mesmos objetivos. Não esmoreça, nem tudo vai dar certo ou acontecer no seu tempo, nem sair como planejado. Mas isso vai motivar você a se aprimorar e descobrir o melhor jeito de fazer”, finaliza.

O empreendimento deu certo e hoje é a principal fonte de renda da dupla (Reprodução/Arquivo Pessoal)