25 de fevereiro de 2021

Com informações do O Globo

ESTOCOLMO —  O Centro de Prevenção e Controle de Doenças Europeu (ECDC), ligado à União Europeia (UE), anunciou nesta quinta-feira que as mutações do novo coronavírus encontradas no Brasil, Reino Unido e na África do Sul representam um “alto risco” para a Europa em razão de sua maior transmissibilidade em relação as demais linhagens do patógeno. Trata-se da declaração mais contundente das autoridades europeias desde que a mutação britânica se tornou prevalente em áreas da Inglaterra, em dezembro.

“Baseado nas novas informações, o risco associado à introdução e à transmissão comunitária destas variantes preocupantes foi alterado para alto/muito alto”, disse o ECDC em um comunicado.

As variantes, que contêm mutações-chaves na proteína S do Sars-CoV-2, que infecta as células humanas para se replicar, já foram detectadas em vários países da Europa, segundo o órgão.

“Nós estamos observando as situações epidemiológicas se deteriorando em áreas onde as variantes do Sars-CoV-2 se tornaram presentes”, afirmou Andrea Ammon, diretor do ECDC, em um comunicado. “Um número crescente de infecções levarão a um aumento de hospitalizações e taxas de óbitos ao longo de todas as faixas etárias.”

Na avaliação do centro, os países-membros da UE “devem se preparar para uma futura escalada na demanda nos sistemas de saúde”.

O Reino Unido vetou a entrada de viajantes com origem no Brasil e outros países da América Latina, além de Portugal, e alguns países da UE consideram adotar medidas similares. O ECDC recomendou que apenas viagens essenciais sejam mantidas e urgiu para que governos europeus acelerem a campanha de vacinação para os grupos de alto risco.

A mutação britânica, denominada N501Y, pode tornar o vírus mais transmissível, levar a reinfecções e ainda prejudicar a eficácia das vacinas, segundo estudos preliminares.

Já a brasileira, chamada E484, foi identificada no Rio de Janeiro e em variantes em Manaus, como a identificação em japoneses que estiveram no Amazonas. Ela altera o RDB, o ponto da proteína S em que o Sars-CoV-2 se liga às células humanas.

Na última quarta-feira, especialistas de três universidades sul-africanas ligados ao Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis (NICD) publicaram um estudo no repositório bioRxiv que alerta para a possibilidade de a variante sul-africana do Sars-CoV-2 evitar a ação de anticorpos que a atacam em tratamentos com plasma sanguíneo de pacientes previamente recuperados e reduzir a eficácia da atual linha de vacinas.

Os pesquisadores agora tentam definir se as vacinas que estão sendo lançadas em todo o mundo são eficazes contra a chamada variante 501Y.V2. Estima-se que a 501Y.V2 seja 50% mais infecciosa do que as anteriores. Ela já foi identificada em pelo menos 20 países desde que foi relatado à Organização Mundial da Saúde (OMS) no final de dezembro.

A variante sul-africana é tida como o principal gatilho da segunda onda de infecções por Covid-19 na África do Sul, que atingiu um pico diário acima de 21 mil novos casos em 24 horas no início deste mês, muito acima da primeira onda.

Anthony Fauci, médico conselheiro da Casa Branca, disse nesta quinta (21) que as mutações da África do Sul e a do Brasil podem afetar um pouco a eficácia das vacinas, mas não é nada relevante que precise alterar os imunizantes.