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1 de dezembro de 2021
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Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com a falta de interesse do governo federal, o Brasil chega à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 26) na contramão de outros países, em relação a compromissos para frear as mudanças no clima. Ao contrário de reduzir, o País elevou o número de emissões de gases a 9,5% em plena pandemia da Covid-19, segundo relatório divulgado na última quinta-feira, 28. Em entrevista exclusiva à CENARIUM, o ambientalista Carlos Durigan pontua que o desmatamento é a principal fonte para esse aumento.

O Brasil apresentou, no Acordo de Paris, uma meta de reduzir 43% das emissões de gases do efeito estufa até 2030. O especialista lembra que o Brasil vinha, ‘a duras penas’, buscando cumprir as metas com as quais se comprometia, tanto que, segundo ele, é possível ver um avanço no engajamento de empresas que, atualmente, adotam medidas de redução de emissões.

“Temos maior investimento em ações de mitigação e de restauração, no entanto, as emissões do Brasil têm, no desmatamento e no uso do solo pela agricultura e pecuária, suas principais fontes”, relata.

“E assim, o aumento expressivo do desmatamento e uso do solo sem medidas de redução de emissões acabam por reduzir o atingimento de nossas metas estabelecidas em COPs anteriores. Por isso que, infelizmente, o Brasil ocupa o triste posto de quarto País em volume de emissões, atualmente”, explica ainda Durigan.

Leia também: Na contramão de outros países, Brasil vai à COP26 sem planejamento concreto

Perdas financeiras

O relatório destaca que, com esse aumento de emissões e com a queda de 4,1% no Produto Interno Bruto (PIB), o País ficou ainda mais pobre e poluiu mais. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, lançado também na última quinta-feira (28), foram emitidas 2,16 bilhões de toneladas de gás carbônico.

Somente em 2020, durante a pandemia, o mundo registrava uma queda de 6,7% nas emissões. O Brasil aparece em 5º lugar na lista de países que mais agravaram o aquecimento global em 2020, atrás somente da China, Estados Unidos, Rússia e Índia.

De acordo com o diretor-executivo do Instituto Internacional para Sustentabilidade, Bernardo Strassburg, para o site Observatório do Clima, a estimativa é que o Brasil possa faturar até R$ 10 bilhões por ano com o uso inteligente das florestas. O valor dos serviços ambientais prestados em apenas um hectare de floresta na Amazônia equivale a R$ 3,5 mil por ano. Mais do que a atividade pecuária geraria de lucro na mesma área ou até mesmo uma plantação de soja.

“Negócios que antes eram um pouco mais difíceis de serem justificados do ponto de vista financeiro, que apenas aqueles produtores com uma consciência ambiental maior faziam, eles agora tornam-se perfeitamente viáveis e mais atraentes do que a alternativa apenas do ponto de vista financeiro”, diz Bernardo Strassburg à organização.

Pandemia

Representadas pelo desmatamento, o setor de Mudança do Uso de Terra (MUT) – definida como um modo de uso dos recursos existentes por seres humanos, como a agricultura, a mineração e o corte de árvores – foi um dos principais agravantes para esse aumento.

O desmatamento na Amazônia e no Cerrado, somado, chega a quase 90% das emissões nesse setor. Segundo o relatório, essas mudanças de uso da terra emitiram 998 milhões de toneladas de CO2, em 2020, chegando a um aumento de 24% em relação a 2019.

O desmatamento na Amazônia em 2020 sofreu um aumento de 10.851 km2, de acordo com os dados do sistema Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Somente na Amazônia, essa alteração alcançou, em 2020, mais de 780 milhões de toneladas de carbono.

“Dois mil e vinte foi o ano que tivemos as maiores emissões do setor, em 11 anos, um reflexo claro do desmonte em curso da política ambiental, que tem favorecido à retomada das altas taxas de desmatamento”, afirma a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, ao Observatório do Clima.

(Fonte: SEEG 9)