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19 de novembro de 2021
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Rômulo D’Castro – Da Cenarium

ALTAMIRA (PA) – Dor de cabeça constante e falta de força em um dos braços são sequelas que Gleici Lima teve que aprender a suportar. A estudante de enfermagem chegou a ficar isolada em casa por duas semanas e mesmo depois de se recuperar da doença não tem como esquecer o quanto foi ruim enfrentar os sintomas da Covid-19. “Tinha hora que eu pensava que iria morrer. Era muita dor de cabeça, doía o corpo, não tinha vontade nem de levantar da cama”. Hoje, vacinada com as duas doses, Glici faz parte das estatísticas de quem conseguiu vencer o vírus.

Gleici Lima faz parte das estatísticas de quem conseguiu vencer o vírus (Reprodução/Arquivo pessoal)

De acordo com a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), dos 593 mil infectados no Estado desde o início da pandemia, 555 mil se recuperaram, mas o índice de mortes por Covid-19 é considerado preocupante. 16.681 paraenses perderam a vida na batalha contra o vírus. Diariamente, a Sespa divulga relatórios sobre o comportamento da pandemia. A CENARIUM teve acesso ao gráfico com números de quarta-feira, 6. Na ilustração, é possível observar que o ‘sobe e desce’ é constante e, mesmo com queda, de forma geral, ainda é alto o índice de novos casos. Só na quarta-feira, 395 paraenses foram infectados.

Gráfico mostra instabilidade no controle da Covid-19 no Pará (SESPA)

Cenário preocupante

Municípios como Altamira, no sudoeste paraense, viram os números saltarem depois de um período em que chegaram a zero. A Secretaria de Saúde divulgou que nas últimas 24 horas, 36 novos casos foram registrados e 76 pacientes deram entrada na Unidade de Pronto Atendimento e no Hospital Geral com sintomas de Covid-19.

A preocupação das autoridades paraenses é que o cenário que se desenha possa causar colapso do sistema público de saúde, como aconteceu no ano passado quando o Estado enfrentou o pico da pandemia com hospitais lotados, mortes acima da média nacional e enterros coletivos. Hospitais de campanha, como os de Altamira, Marabá e Santarém, no interior do Estado, foram desativados quando especialistas ainda sinalizavam para uma possível volta de casos, como o que é possível observar nos dados recentes da Secretaria de Saúde do Pará.

Responsável pelo setor de Vigilância Sanitária na região Xingu, no Pará, Oswaldo Damasceno observou que 50% dos pacientes infectados, ou seja, 5 de cada dez, não tomaram a vacina. Ele explica. “Muita gente não se vacina por medo de possíveis efeitos colaterais e até por questões ideológicas sobre política. E, se não está vacinado, a pessoa é mais vulnerável a se contaminar”.

Além do imunizante, cuidados básicos não podem ser deixados de lado. Osvaldo Damasceno orienta. “Caso sinta sintomas, a pessoa tem que buscar atendimento médico, não deve circular entre as demais porque se for Covid-19 poderá infectar muita gente”.

Com os casos voltando a subir, hospitais de todo o Estado começaram a demonstrar preocupação e já acionaram a Secretaria de Saúde. Em Altamira, por exemplo, já tem fila de espera por leitos clínicos e de UTI.

A campanha de vacinação contra a Covid-19 foi reforçada no Pará. (Reprodução)

Símbolo de luta

Arlindo Lima é motorista de aplicativo e enfrentou o estágio mais crítico da doença. Foi intubado e passou 13 dias em coma na UTI do Hospital Regional da Transamazônica. O jovem admite que antes de ser acometido pelo vírus nem acreditava na doença. “Eu não estava nem aí para o vírus, saía sem máscara, não pedi para meus clientes colocarem máscara ou usarem álcool. Eu não ligava”. O pensamento hoje mudou. “Eu vi o quanto isso [o vírus] é cruel. Mudou meu jeito totalmente. Sou grato aos médicos por estar vivo”.

O jovem foi infectado quando ainda não existia vacinas. Graças à habilidade da equipe que o atendeu, Arlindo teve uma nova chance. Hoje, imunizado com as duas doses, o jovem virou símbolo da luta contra a pandemia e faz campanha para alertar a população sobre a importância de se combater o vírus. “Não quero passar por essa situação mais e quero ajudar meus amigos, minha família. Quem não acredita precisa acordar”, finaliza.