28 de fevereiro de 2021

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A juíza federal do Amazonas, Jaíza Pinto Fraxe, disse não apoiar “condutas criminosas”, ao se referir a festas clandestinas em meio à pandemia da Covid-19. Em entrevista exclusiva à REVISTA CENARIUM nesta terça-feira, 5, a magistrada citou que não teme ameaças ou ofensas de internautas pelo comentário que viralizou no Twitter nesta semana.

“Sou uma profissional de Justiça que apoia a liberdade de expressão e o direito de manifestação. Lamento apenas que existam pessoas que defendam atos, condutas e práticas clandestinas de qualquer natureza. Situações assim são normalmente criminosas e eu não apoio o crime”, comentou Fraxe.

Na conta pessoal do Twitter, a juíza federal chamou atenção pela firmeza e o posicionamento ao sugerir “trancar” participantes de festas clandestinas na Arena da Amazônia, até o fim da pandemia. “Sempre atuei apoiando as atitudes de defesa da ordem pública, minha biografia diz isso. Também não temo ameaças ou ofensas, a boca só fala o que o coração está cheio”, disse.

Genocídio

Para a juíza, assídua na rede social com opiniões sobre inúmeros temas, promover, comercializar ingressos e efetivamente, realizar e participar do que ela classificou como “corona party” (festa do corona, tradução literária do inglês) no Brasil, poderá ser considerado pela Justiça como genocídio em breve.

“O lockdown que eu sonho é trancar todos os participantes de festas clandestinas na Arena da Amazônia e deixá-los lá até o fim da pandemia. Vírus e hospedeiros juntos. Liga o som e deixa lá”, disparou Jaíza Fraxe, no tweet viralizado nos trendind topics, os assuntos mais comentados no Amazonas e no Brasil.

Em outra publicação, a magistrada salienta que janeiro sempre foi o mês lockdown, por conta das férias coletivas em meio ao comércio “magro”, restrito às compras de material escolar. “Essas festas clandestinas são fruto da vontade livre e consciente de lucrar, expondo milhares de vidas ao perigo direto e iminente”, disse.

Exposição

Para a REVISTA CENARIUM, a magistrada frisou que os comentários feitos no Twitter são “falas livres e despretensiosa de uma cidadã comum”. E que vê em eventos clandestinos uma lástima e uma enorme falta de responsabilidade com o momento atual, em que milhares de pessoas morrem no mundo inteiro vítimas da Covid-19.

Jaíza encerra a entrevista relembrando que muitos amazonenses já perderam amigos e familiares. Além de mencionar a exaustão vivida pelos profissionais considerados essenciais, como os de saúde, segurança, justiça e dos transportes, que não interromperam as atividades, chegando até mesmo a acumular horas de trabalho durante os plantões.

“Não se trata de comentário com qualquer conotação política ou crítica relativa a qualquer decisão de governante, juiz ou outra autoridade. Mesmo porque, todos têm autonomia para tomar suas decisões. Recebi todas as críticas sociais com alegria e não pretendo processar ou pedir resposta, não cheguei a ler mais comentários por falta de tempo”, finalizou Jaíza.