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22 de outubro de 2021
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Com informações da coluna Época Negócios, do jornal O Globo

SÃO PAULO – A Natura lança nesta semana a plataforma PlenaMata, que monitora em tempo real o desmatamento na Amazônia. Uma das principais ferramentas do site será um contador de árvores derrubadas por minuto, na tentativa de tornar os dados sobre desmatamento mais acessíveis para a população.

“Um grande desafio é tocar as pessoas de um jeito que faça sentido. Muita gente não conhece a Amazônia, mas todo mundo sabe o que é uma árvore. Enquanto estamos falando, já caíram 1500 árvores por minuto. Isso faz você pensar. À medida que esse número vai entrando no contador, isso é real. A questão é trazer isso para o dia a dia das pessoas”, explica a diretora global de sustentabilidade da Natura, Denise Hills.

No ano em que o desmatamento atingiu níveis recordes (foram cerca de 8.381 quilômetros quadrados de área desmatada entre agosto de 2020 a julho de 2021, o maior nível para a década), a criação da plataforma contempla os esforços da Natura em promover uma agenda ambiental de peso. No ano passado, a empresa lançou uma estratégia de sustentabilidade batizada de Compromisso com a Vida, que tem como pilares o enfrentamento da crise climática e a proteção da Amazônia, entre outros.

‘Diferente de tudo o que vem sendo feito’

Criada em parceria com o Mapbiomas, InfoAmazonia e Hacklab, a PlenaMata também reunirá conteúdos informativos sobre o uso sustentável do bioma. A ideia é que o projeto se sustente em três áreas: um glossário com informações básicas como, por exemplo, qual a diferença entre desmatamento bruto e líquido; dados sobre desmatamento atualizados diariamente; e uma terceira parte, com informações sobre as principais iniciativas de conservação.

Além disso, também serão disponibilizados artigos feitos em parceria com o InfoAmazonia, portal de jornalismo independente dedicado à cobertura dos principais temas socioambientais da região. “A gente quer contextualizar esses dados, apresentar não apenas os números brutos, mas o que está acontecendo que justifica esses números”, explica a diretora editorial do InfoAmazonia, Juliana Nori. 

Para o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo, a iniciativa é diferente de tudo o que já vem sendo feito, justamente por reunir em um único espaço desde questões conceituais até artigos editoriais e novas iniciativas dentro do assunto “O PlenaMata é diferente do que já faz a Natura, do que já faz o MapBiomas e do que já faz a InfoAmazonia. A ideia é de que você possa buscar um tema específico, e daí se aprofundar e descobrir todo co conteúdo possível sobre ele”, explica.

Meta zero 

Os aportes financeiros para o projeto estão sendo feitos pelo Mapbiomas e pela Natura. A princípio, segundo a empresa, não há contrapartida financeira ou meta de monetização do portal. Para Denise Hills, a medida do sucesso da iniciativa é chegar a uma “meta zero”, isto é, zerar o desmatamento na Amazônia. 

“Não é impossível sonhar com o desmatamento zero, mesmo que seja em 2025, que é a meta que estipulamos. Agora, imagina se a gente pudesse ver o contador [de árvores] aumentando positivamente? O contador aumentando significa que a gente encontrou um modelo econômico, social, de valoração da Amazônia. A contribuição da Natura é levantar a mão e dizer ‘sim, isso é possível'”, afirma Denise Hills.

Nesse primeiro momento, a ideia é lançar a PlenaMata como um posicionamento. Mas a ideia é que, aos poucos, outras empresas possam fazer parte da plataforma, contribuindo com histórias de boas práticas, iniciativas e outros conteúdos que se relacionem com o projeto.

“Começamos falando com colaboradores, com o público e ao mesmo tempo com a sociedade inteira. Depois, traremos mais empresas para gerar essa cadeia de valor da sociobiodiversidade, para que as pessoas olhem a floresta como fonte de renda e de oportunidade. A Amazônia é um bioma estratégico, seja para a Natura ou para o mundo. Não existe uma economia de sucesso com a floresta devastada”, completa Denise.