Negócios manauaras se reinventam em meio à crise da Covid-19

Carol Givone – Da Revista Cenarium

MANAUS – Manter a liquidez das finanças e os negócios rodando, são alguns desafios dos empreendedores manauaras em meio à pandemia do novo coronavírus. Para se ter uma ideia, em março, mais de 30% das empresas de todos os setores sentiram os impactos da pandemia. Em Manaus, empresas que dependiam do fluxo de clientes precisaram se reinventar. Com isso, uma das saídas encontradas, foi o delivery, serviço de entrega à domicilio, e que se tornou a solução mais viável para aquecer a economia.

No levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o setor da indústria representou 43% de perdas, seguida do comércio com 35%, e serviços com 30,2%. Na projeção da FGV, os feitos negativos ainda devem perdurar pelos próximos meses; aumentando os percentuais em 68,5% da indústria, 59,1% do comércio e 49,7% dos serviços.

Dentro do universo comercial, Tayara Fernandes, proprietária da loja de confecções “Barezinha”, conta que mesmo antes dos impactos do isolamento social, já realizava atendimentos virtuais. A média dos valores das roupas comercializadas pela loja dela, tem preços que variam de R$15 até R$150. “Trabalho com moda feminina, virtualmente desde 2014. O movimento na loja física, não é tão intenso, mas conseguia manter meu faturamento. Na parte de divulgação da loja, procuro sempre atualizar a página visando melhorar o engajamento”, comentou.

Sobre as dificuldades, Taynara explica que se deram, justamente pela falta de fluxo social na cidade. As proibições de aglomerações como show, festas e aniversários refletiram na escassez da procura por roupas novas. “Dessa forma, as mulheres não estão saindo de casa e se arrumando, portanto, não tem ‘aquela’ necessidade de comprar uma roupa nova. O movimento parou por conta disso, mas continuamos vendendo. Faço promoções e aos poucos estamos girando o estoque. Espero que isso passe logo”, desabafou.

Lanche saudável em casa

As feiras sustentáveis realizadas de maneira itinerante em Manaus, que atraiam dezenas de adeptos ao consumo consciente, eram o ambiente de vendas dos salgados veganos do casal Douglas Bartz e Rebecca Melchior. E assim como outros empreendedores do ramo alimentício, desde o cumprimento do decreto estadual que proíbe a abertura comércio e serviços não essenciais, o casal tem seguido com o serviço de entregas.

Douglas explica a mudança ocasionada pelo vírus na rotina de produção dos pedidos de salgados. Antes do vírus, ele trabalhava em várias feiras pela cidade, pelo menos umas três vezes por semana com produtos de R$ 3 a R$ 20. “Nosso faturamento sempre esteve atrelado ao fluxo de pessoas. A nossa adaptação tornou as nossas redes sociais nosso novo fluxo de clientes. Lá as pessoas pedem diretamente e recolhemos esses pedidos durante a semana.  Nas quartas-feiras nós saímos para entregar todos os pedidos”, comentou.

O empreendedor conta que a adaptação da produção caseira não aconteceu somente na entrega do produto final, mas também na reestruturação da cozinha do casal, que passou a ser industrial para adequar o trabalho. “Somos apenas minha esposa e eu. Produzimos tudo em casa, adaptamos nossa cozinha para o modelo industrial”, finaliza.

Palavra do especialista

O economista Ailson Rezende, formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), explica que independente dos produtos, tudo pode ser comercializado pela internet. Para ele, a internet mudou a forma de convívio na sociedade atual, bem como modificou a forma de comercializar e de consumir e ainda criou novos nichos de mercado.

“A venda de comida pronta pela internet é uma nova forma de comércio e uma ótima oportunidade de ganhar dinheiro e fazer sucesso. Outra vantagem sobre vender comida pela internet é o baixo custo do empreendimento. Fazer a produção na própria residência implica em custos baixos. Deixando um lucro maior e que pode ser investido em material de qualidade para a produção de uma alimentação saborosa, higiênica e barata, alcançando um público cada vez maior”, explica.

Rezende ressalta que diante da pandemia do coronavírus, todo cuidado é pouco. “Deve ser tomado alguns cuidados para garantir a saúde dos clientes. Mesmo que até o momento, nenhum estudo comprove que a comida transporta o vírus, o importante é dá preferência às embalagens de papelão pelo tempo de vida do vírus no material”.

O especialista também destaca que o segmento de vestuário não é diferente, pois já existem diversas lojas virtuais vendendo os mais diversos produtos, inclusive calçados. Quanto a loja física, ela serve para dá segurança ao consumidor.

“As compras online com entrega possuem vantagens e desvantagens, podemos citas as seguintes: comodidade, privacidade, decisão sem pressão de vendedor, variedade e preço acessível. Para elencar as desvantagens, são mais voltadas a não poder para experimentar o produto antes de comprar, o custo frete ou entrega, bem como tempo de espera; ou ainda dificuldades para trocar ou oferecer formas diferenciadas de pagamento”.

Rezende comenta que enquanto perdurar o isolamento social, o pagamento deve ser realizado direto com cartão ou por algum aplicativo, sem entrar em contato com o entregador e fazer o pagamento remotamente. “Depois que essa pandemia passar, ficará o aprendizado e as vendas online serão mais populares, criando uma onda de negócios via internet com clientes cativos e produtos diversificados”, finaliza.

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