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17 de maio de 2021

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Com informações da Folhapress

SÃO PAULO – A tontura é uma queixa frequente em consultórios médicos e acomete 42% da população adulta da cidade de São Paulo, segundo estudo publicado pela Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. Especialistas explicam que a tontura, embora comumente associada à labirintite, é um sintoma que pode indicar alterações neurológicas, vasculares ou do metabolismo.

“Depois de uma queixa de tontura, todo médico tem que perguntar o seguinte: ‘o que você quer dizer com essa palavra?'”, explica Márcio Salmito, otorrinolaringologista e coordenador do Departamento de Otoneurologia da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).

Segundo o médico, há uma dificuldade na definição de tontura, o que dificulta o diagnóstico. Isso porque, ao utilizar a palavra tontura, o paciente pode estar descrevendo situações completamente diferentes. Uma delas é sensação ao se levantar muito rapidamente, que gera escurecimento da visão. O termo técnico que nomeia esse estado de um “quase desmaio” é lipotímia e pode indicar problemas na circulação sanguínea no cérebro, causados por doenças cardiovasculares ou apenas pelo mecanismo de postura, de se levantar rápido.

A tontura também pode ser uma reclamação relacionada ao desequilíbrio. Frequente em idosos, o sintoma indica uma disfunção no equilíbrio, o que faz com que a pessoa fique cambaleando ou tenha dificuldade em andar em linha reta. Geralmente, a situação aponta para possíveis doenças neurológicas.

Por último, a queixa também pode se referir à vertigem, que é a sensação de ilusão de movimento. Aquele sentimento, após realizar movimentos rotatórios, de que tudo continua girando. Nesse caso, o problema está no labirinto, que é a região da orelha interna que está relacionada com a audição, a percepção do espaço e o equilíbrio.

Por esse motivo, muitos pacientes associam automaticamente a tontura à labirintite, que é a inflamação do labirinto, geralmente ligada a outras infecções como otite e meningite. A labirintite, no entanto, não está nem entre as dez causas mais frequentes de tontura.

“Quando a pessoa diz ter crise de labirintite, ela geralmente tem crises de vertigem, que são crises de sintomas que indicam problemas labirínticos, quase nunca uma infecção”, explica Salmito. A causa mais frequente de problemas labirínticos é a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), conhecida também como “doença dos cristais”. A doença ocorre quando os cristais de cálcio do labirinto, responsáveis por controlar a posição do corpo e auxiliar no equilíbrio, se desprendem e geram tontura, que pode ser acompanhada de náuseas.

Dentre outros problemas labirínticos, está a cinetose, caracterizada pela dificuldade do labirinto em processar diferentes informações. É o conhecido mal do movimento, mais evidente em viagens de carro ou avião, quando há náusea e enjoo.

Cinetose é caracterizada pela dificuldade do labirinto em processar diferentes informações (Reprodução/Internet)

As disfunções também podem ser consequência de um distúrbio na comunicação entre o labirinto e o cérebro, como na neurite vestibular. Na doença, um vírus afeta o nervo vestibular, estrutura responsável por enviar informações do labirinto à cabeça, o que causa vertigem, desequilíbrio e náusea.

Algumas dessas doenças são tratadas com medicamento, enquanto outras não, por isso a importância dos pacientes não classificarem a tontura diretamente como sintoma de labirintite. “É o motivo pelo qual a gente tenta estimular o uso correto das palavras, para não gerar o tratamento errado”, reforça o otorrinolaringologista.

Buscar um médico otorrinolaringologista é essencial para identificar a causa da tontura, principalmente se ela for recorrente e afetar a qualidade de vida do paciente.

HÁBITOS

A tontura também pode indicar disfunções em outros aspectos do metabolismo do corpo. “Existe uma tontura muito comum que é consequência de hábitos de vida, como estresse e privação de sono, e do abuso de substâncias como cafeína e açúcar em excesso”, explica Ricardo Schaffeln Dorigueto, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

O médico reforça a importância da atenção ao que chama de “fatores de risco da vida moderna”. Muitas vezes, a tontura não é resultado de uma doença específica e os cuidados com alimentação e hábitos de sono e trabalho podem ser suficientes para reverter os quadros do sintoma.

Diabetes e hipertensão, por exemplo, são quadros relacionados à doença de Menière, que também afeta o labirinto. Causada pelo aumento da pressão dos líquidos na parte interna da orelha, a doença está associada a quadros crônicos que são potencializados por comportamentos diários.

O alerta para o consumo de açúcar na rotina é um dos mais importantes. “Alimentos doces, açúcares, pães, mel têm prejuízo grande pros sintomas de tontura”, reitera Dorigueto.

SAIBA MAIS
A tontura é um sintoma que acomete 42% da população adulta da cidade de São Paulo.

Ela ocorre em três possíveis sensações:

– Lipotímia: sensação ao se levantar muito rapidamente e sentir que está prestes a desmaiar, que pode vir acompanhada de escurecimento da visão e queda na pressão
– Vertigem: sensação falsa de movimento, principalmente movimento rotatório, com tudo girando
– Desequilíbrio: perda do equilíbrio, as pessoas ficam cambaleando e têm dificuldades em andar em linha reta

O labirinto é a parte da orelha interna que está relacionada com nossa audição, equilíbrio e percepção do corpo. A parte que envolve o equilíbrio é chamada de sistema vestibular.

As principais doenças do labirinto, que estão relacionadas à tontura, são:

– Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB): doença mais comum, gerada pelo desprendimento dos otólitos, pequenos cristais de cálcio responsáveis por fornecer informações sobre a posição e movimentos da nossa cabeça.
Sintomas: náuseas (provocada por movimentos da cabeça)

– Cinetose: conhecida como enjoo/mal do movimento, é caracterizada pela dificuldade do labirinto em processar diferentes informações.
Sintomas: náusea e enjoo, tornando- se mais evidente em viagens de carro ou avião.

– Doença de Menière: aumento da pressão dos líquidos da orelha interna, geralmente relacionada com outras doenças, como diabetes, hipertensão e doenças autoimunes
Sintomas: zumbido, vertigem, perda auditiva e pressão no ouvido, acompanhados de mal-estar e náusea/enjoo.

– Neurite vestibular: distúrbio do sistema vestibular causado, geralmente, por um vírus que afeta o nervo vestibular.
Sintomas: forte vertigem, náusea, desequilíbrio e dificuldade para caminhar.

Todas essas doenças são comumente confundidas com a labirintite, que, por sua vez, é uma inflamação do labirinto, geralmente associada a alguma outra infecção, como otite e meningite
A labirintite, no entanto, não está nem entre as dez causas mais frequentes de tontura

Também podem causar tontura:

– Ingestão de alimentos com muito açúcar
– Consumo excessivo de cafeína
– Tabagismo
– Ingestão de álcool

Fontes: Márcio Salmito, otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF); Ricardo Schaffeln Dorigueto, otorrinolaringologista do Hospital Paulista; Revista Brasileira de Otorrinolaringologia