No AM, deputado bolsonarista se cala sobre suspeitas de suborno em contrato de R$ 1,6 bilhão de vacina indiana

Carolina Givoni – Da Revista Cenarium

MANAUS – O deputado estadual Delegado Péricles (PSL), ferrenho defensor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), está quieto: não sabe se deve e como pode acudir o líder político diante das suspeitas de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde (MS). Nesta semana, o parlamentar sumiu do plenário da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

Nas redes sociais, sempre tão ativo, não toca no assunto que abala o Governo Bolsonaro. Em entrevista bombástica concedida ao jornal O Globo, o diretor de importação do Ministério da Saúde, o servidor de carreira Luis Ricardo Miranda revelou que sofreu pressão para assinar pagamento antecipado pela vacina no valor de US$ 45 milhões, algo em torno de R$ 220 milhões, quando o imunizante sequer foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

E o mais agravante: o servidor do alto escalão do ministério procurou pessoalmente o presidente, acompanhado do irmão, que é deputado federal aliado de Bolsonaro, para relatar as suspeitas de esquema de corrupção na operação, sem que nenhuma providência fosse adotada para resguardar o dinheiro público. Segundo Ricardo Miranda, na ocasião Bolsonaro disse a ele, em um sábado no Palácio do Alvorada, que o caso era grave e que o levaria para a Polícia Federal (PF) para investigar.

Mas a PF, como revela o jornal O Estado de S.Paulo nesta quinta-feira, 24 de junho, já informou que não tem nenhum registro de pedido de investigação, muito menos feito pelo presidente. Ao invés de investigar o caso, Bolsonaro ordenou que a PF investigue os irmãos Miranda, e não as denúncias de corrupção na compra de R$ 1,6 bilhão da covaxin.

A vacina é a mais cara já contratada pelo governo brasileiro e a única que não foi negociada diretamente pelo Ministério da Saúde com o fabricante, mas por uma empresa intermediária brasileira, a Precisa, que tem histórico de escândalo com o próprio Ministério da Saúde. Em entrevista ao vivo à CNN Brasil nessa quarta-feira, 23 de junho, o deputado federal pelo Distrito Federal, Luiz Miranda, afirmou que os documentos falarão por si só e que o presidente não tomou providências porque não quis.

Nesta sexta-feira, o irmão dele, o servidor Ricardo Miranda, prestará depoimento na CPI da Pandemia do Senado e promete apresentar documentos comprometedores.

Tropa de choque

Na próxima semana, o deputado bolsonarista amazonense Delegado Péricles deve depor na CPI da Pandemia. Na CPI, quere fazer pressão sobre o governo do Estado, de quem é opositor. Mas será que ele vai falar, por exemplo, que o Ministério da Saúde enviou para o Amazonas respiradores veterinários durante a primeira onda da pandemia, em 2020, conforme revelou na CPI o ex-secretário de Saúde amazonense, Marcellus Campelo?

Ou ainda: que mesmo avisado sobre a iminente crise de oxigênio no Estado, durante a segunda onda da pandemia, em janeiro deste ano, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello negligenciou ajuda imediata aos amazonense? Ou papel será mesmo apenas de tentar blindar o presidente Bolsonaro, que já começa a perder o único discurso que ainda lhe restava: de governo que combate a corrupção?

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