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27 de outubro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O Amazonas iniciou nesta quinta-feira, 18, a antecipação da imunização com a CoronaVac em pessoas entre 18 e 49 anos com comorbidades. Batizada como CovacManaus, a pesquisa antecipa a vacinação de profissionais de educação e segurança de Manaus, com a aplicação de 10 mil doses da vacina doadas pelo Instituto Butantan, beneficiando em duas doses o total de cinco mil pessoas na capital.

De acordo com o coordenador do estudo na capital, o médico infectologista e especialista em saúde pública da Fiocruz, Marcus Lacerda, o projeto vai garantir as duas doses com o intervalo necessário entre uma e outra para os servidores públicos lotados em Manaus, inscritos na pesquisa feita pela Fundação de Medicina Tropical (FMT-HVD) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A vacinação dos profissionais vai acontecer na Escola Normal Superior (ENS) da UEA, nos horários de 9h às 16h.

“Trata-se de um estudo pioneiro no Amazonas. O Estado do Amazonas participa de um estudo de fase quatro. A vacina foi registrada pela Anvisa e tem o seu uso aprovado em todo território nacional. Num contexto importante em Manaus, em que temos uma variante muito infectosuosa, a P.1., e que mais de 90% da doença foi causada pela variante P.1., é necessário saber se a coronavac terá o mesmo impacto com essa variante e se essas pessoas com doenças têm a mesma resposta a essa vacina”, frisou Marcus Lacerda.

Ainda conforme o médico, cerca de 40 pessoas receberam o imunizante até as 12h desta quinta-feira. “Os órgãos de controle foram informados e consultados sobre o projeto para que nos ajudem a fiscalizar e garantir que as doses disponíveis sejam empregadas em pessoas com critérios muito bem definidos para que não haja desvios de doses ou algum uso equivocado que não seja para o estudo”, pontuou o infectologista.

Benefícios

Na capital, a pesquisa tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), com investimento de R$ 2 milhões. A médica infectologista da FMT-HVD e pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação da UEA, Maria Paula Mourão, conduz o estudo junto ao médico Marcus Lacerda. De acordo com o governo, as pesquisas têm objetivo de identificar se a antecipação da aplicação da vacina em pessoas com comorbidades terá impacto na prevenção das formas graves da doença, em Manaus, onde predomina a variante P.1 do vírus.

O critério para participar do estudo é ser servidor efetivo da UEA, da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) e da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), Polícias Civil e Militar, Detran-AM e Corpo de Bombeiros, com idades entre 18 e 49 anos, que atuam em Manaus. É necessário ainda o preenchimento do formulário de cadastro e termo de consentimento, no site ipccb.org. Aqueles que se declararem com comorbidades devem apresentar laudo médico. Gestantes e lactantes não podem participar do estudo, mesmo com liberação médica.

As pessoas que apresentarem comorbidades irão receber as duas doses do imunizante, mas as que não apresentarem, receberão acompanhamento periódico com avaliação clínica e exames sorológicos. “A ciência é um caminho indispensável para que nós superemos as dificuldades, os desafios que são colocados para a humanidade. O Amazonas se coloca nesse processo contribuindo para o desenvolvimento de ações para combater a Covid-19”, destacou Márcia Perales, diretora-presidente da Fapeam.