26 de janeiro de 2021

Náferson Cruz – Revista Cenarium

MANAUS – A lista “suja do Ibama” aponta que dos 124 candidatos a prefeito e vice, que cometeram alguma infração na Amazônia na última década, 12 deles estão no Amazonas e, destes, cinco foram eleitos.

Conforme o levantamento feito pela Agência Pública, os postulantes aos cargos majoritários foram autuados por desmatamento, queimadas, exploração de floresta nativa localizada em reservas ou por prestar informações falsas para os órgãos ambientais a fim de acobertar atividades ilegais.

Os prefeitos e o vice na lista suja do Ibama também são agricultores, pecuaristas e madeireiros. Para chegar até eles, foi feita a filtragem das entradas de multas aplicadas no período de janeiro de 2011 a agosto de 2020. Diante da relação de candidatos em 2020 foi verificado os CPFs na base de dados de multas, quando se constatou as infrações na Amazônia.

Exemplo desta prática criminosa ocorreu em meados de novembro de 2015, no município de Codajás. À época, o então vereador Isaías Vicente, o ‘Gogó’, que, chegou a concorrer ao posto de vice-prefeito do município, foi denunciado por meio de imagens que mostravam o parlamentar abatendo duas antas e três pacas às margens de um rio. Logo depois, ele foi multado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em R$ 11,5 mil.

Confira abaixo os prefeitos e vice eleitos em municípios no Amazonas e que fazem parte da lista ‘suja’ do Ibama:

Marco Antônio Lise (PSC) – pecuarista eleito prefeito de Apuí

Simão Peixoto Lima (PP) – empresário eleito prefeito de Borba (empresário)

Jean Campos de Barros (MDB)– eleito prefeito de Lábrea

Jander Paes de Almeida, “Jander Barreto” (Republicanos) – pecuarista eleito prefeito de São Sebastião do Uatumã

José Maria de Almeida Filho, “Zequinha” (Republicanos) (professor) – eleito vice-prefeito de Silves

PF identifica empresas internacionais que importam madeira ilegal da Amazônia

Durante discurso na 12ª Cúpula dos Brics, o presidente Jair Bolsonaro disse o governo iria revelar uma lista com nomes de países que importam madeira extraída de forma ilegal da Amazônia brasileira. Ao retomar o assunto durante a live, o presidente citou que há uma lista de empresas e dos países aos quais elas pertencem que estariam envolvidos no mercado ilegal, mas que o objetivo não é acusar outras nações, mas resolver os problemas.

Presidente pediu a colaboração, principalmente de países europeus, para combater o comércio ilegal de madeira (Reprodução/Internet)

O presidente menciona o método desenvolvido pela Polícia Federal para rastrear a origem de madeiras apreendidas e exportadas usando isótopos estáveis, “uma espécie de DNA que mostra a proveniência geográfica do produto”. O governo também pretende envolver a Marinha na fiscalização do transporte de madeira por via aquaviária.

Para o delegado Alexandre Saraiva, superintendente da Polícia Federal no Amazonas, outros países devem atuar com o Brasil em um esforço de colaboração para o combate ao contrabando de madeira. “Nós esperamos uma colaboração no nível policial e no nível científico”, disse.

“No Amazonas, nós temos o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), que desenvolve um trabalho excelente sobre manejo florestal e tem muitos convênios com universidades europeias. Então, [queremos] é colaboração para repressão aos criminosos, sejam eles do Brasil, sejam eles europeu. Porque bandido é bandido em qualquer lugar”, concluiu.

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