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1 de dezembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Cenarium

MANAUS – Benjamin Constant, município a 1,119.16 distante de Manaus e situado na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, decretou nessa sexta-feira, 10, situação de emergência na área urbana e rural da cidade, por conta da vazante dos rios Javari e Solimões, que vem causando danos e prejuízos econômicos, sociais, humanos, materiais e ambientais aos moradores da região que precisam da água para subsistência e meio de trabalho.

Em publicação no Diário Oficial dos Municípios (DOM), a prefeitura da cidade autoriza a mobilização de órgãos municipais sob a coordenação da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec), nas ações de resposta ao desastre natural e a reabilitação do cenário e reconstrução, assim como a convocação de voluntários para reforçar a resposta à seca.

“Os impactos deste fenômeno natural refletem diretamente na economia local, assim como na vida de milhares de ribeirinhos que, nesta época do ano, ficam isolados em suas respectivas comunidades, sem acesso à água potável e mantimentos básicos para sua subsistência”, declarou na publicação Ricelly Dacio, coordenador municipal de Defesa Civil (Comdec) de Benjamin Constant.

Uma das áreas afetadas pela seca é a ilha fluvial de Bom Intento, na zona rural do município. Segundo a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil da Prefeitura de Benjamin Constant, algumas comunidades da região têm relatado demandas por conta do fenômeno. No último dia 28 de agosto, ribeirinhos atingidos pela estiagem receberam visita da Comdec, que estiveram cadastrando famílias para uma possível solicitação de ajuda humanitária junto ao Governo do Amazonas.

Cheia e seca

A seca em Benjamin Constant ocorre após um período de inundações causadas pela cheia dos rios da Amazônia nos primeiros meses do ano. O fenômeno é temido por ribeirinhos e pescadores da região, conforme destacado na reportagem da CENARIUMEspecial Mamirauá – ‘Nós temos medo é de vir uma grande seca, como os antigos falam’, diz pescador“.

Segundo os moradores, depois de toda grande cheia, são grandes as possibilidades de haver um grande período vazante também, que pode provocar problemas ainda maiores e afetar diretamente a vida de pescadores, agricultores, comerciantes, adultos e crianças.

Vazante afeta comércio

A vazante do Rio Solimões atingiu, no dia 3 de setembro deste ano, a marca de 78 centímetros negativos, de acordo com os dados repassados pela Capitania dos Portos em Tabatinga à Defesa Civil do município. No dia 4 de setembro, a cota da água chegou a 72 centímetros negativos. A seca recorde foi registrada em outubro de 2010, quando o nível da água atingiu 86 centímetros negativos.

Sem água suficiente para locomoção de grandes embarcações, o município vem sofrendo com o desabastecimento do comércio local. Os navios que abastecem a cidade com mercadorias estão encalhando ao longo do rio, no Alto Solimões, causando transtornos aos comerciantes, que precisam pagar novo frete de canoas pequenas para levar até o município os materiais comprados em Manaus.

Por da conta seca, os navios só conseguem chegar até Tabatinga, município vizinho. Com a dificuldade logística, a alternativa encontrada pelos lojistas foi pagar o frete de canoas até Benjamin Constant. Para custear as despesas com a medida, os comerciantes têm aumentado os preços do produto, afetando o consumidor final.

Veja a publicação no DOM: