Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
23 de janeiro de 2022
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE

Alessandra Leite – Da Revista Cenarium

MANAUS – O primeiro fim de semana de flexibilização das medidas restritivas de serviços não essenciais foi marcado por aglomerações em bares e flutuantes em Manaus, conforme viralizado nas redes sociais. A gravação do fotógrafo @eu.tadeu mostra o contraste entre a média de três mil mortes por dia devido à Covid-19 no Brasil e o comportamento de falsa normalidade de parte da população, que se aglomerou em diversos lugares da capital amazonense.

A filmagem mostra de cima a ocupação de mesas e cadeiras em bares localizados na Praça do Eldorado, na zona Centro-Sul da capital amazonense. Agora fechado pelo Governo do Amazonas, não é a primeira que o local reúne diversas pessoas durante a pandemia, que parecem não temer uma possível terceira onda do coronavírus na cidade.

De acordo com informações divulgadas pelo Governo do Amazonas, as vistorias prosseguiram nesse domingo, 11, e se estenderam até a madrugada desta segunda-feira, 12, e as fiscalizações estão ocorrendo diariamente seguindo o estabelecido pelo decreto.

Somente entre a sexta-feira, 9, e o sábado, 10, os agentes da Central Integrada de Fiscalização (CIF) determinaram o fechamento de 15 estabelecimentos, entre bares e festas clandestinas, flagrados descumprindo o decreto governamental com medidas para a contenção da Covid-19.

Vídeo foi publicado no perfil do Instagram @eu.tadeu nesse fim de semana como crítica ao descumprimento das medidas de contenção da Covid-19 em Manaus

Autuações

Na sexta-feira, o bar Rabelo’s, situado no bairro Santo Antônio, zona Oeste da capital, foi fechado por aglomeração. Mais de cem pessoas estavam consumindo bebidas alcóolicas no local. O bar foi autuado por fiscais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e do Instituto Estadual de Defesa do Consumidor (Procon-AM). No bairro da Compensa, o bar do Rossi também foi notificado por fiscais da Semmas e do Procon-AM. O bar foi esvaziado e todas as mesas guardadas.

No sábado, o CIF fechou todos os bares que estavam abertos na Praça do Caranguejo, no bairro Parque Dez, zona Sul de Manaus. Além dos bares, os estabelecimentos Confraria do Aranha e Choperia Bar e Restaurante, localizados nos bairros Praça 14 de Janeiro e Nossa Senhora das Graças, zonas Sul e Centro-Sul, respectivamente, foram autuados pela fiscalização.

Qualquer cidadão pode fazer denúncias referentes a festas clandestinas ou estabelecimentos comerciais que estejam descumprindo o decreto governamental ou ainda que apresentem outras irregularidades pelos números 190 ou 181, ambos do disque denúncia do SSP/AM.

“Mesmo filme de 2020”

Para o epidemiologista Jesem Orellana, do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), o comportamento da população remete “ao mesmo filme visto em 2020”. De acordo com o especialista, quando cai a transmissão, depois de uma grave tragédia sanitária, todo mundo relaxa e a “precária fiscalização segue a sua sina”. “O vírus segue circulando, vai aumentando aos poucos, o novo coronavírus aparece com uma novidade e o resto já sabemos”, diz.

Segundo Orellana, se os dados estiverem corretos, significa que, após a redução drástica no número de exames RT-PCR no Estado do Amazonas – após 22 a 26 de fevereiro – o número estabilizou em patamares baixos, mas com índice de positividade baixo. “O número de exames é insuficiente, porém o baixo índice de positividade sugere a redução da circulação viral em Manaus, já que a maioria dessas amostras são da capital”, observa.

O epidemiologista explica que esta pode ser uma daquelas janelas de oportunidades para fazer a vigilância laboratorial, sobretudo RT-PCR, e epidemiológica (rastreamento de acompanhamento de síndromes gripais) funcionarem e, com isso, manter a circulação viral sob controle, sem parar a economia e com a curva achatada.

“Isso é particularmente verdadeiro com a expectativa de mais vacinados nos próximos 60 dias. Espero que não repitam 2020, vendo a curva de incidência cair, pois parece ter acontecido, estabilizar, o que parece estar acontecendo, subir e estabilizar em níveis altos e, finalmente, explodir”, pondera.

Primeiro pico da Segunda Onda

A seta vermelha sugere a interrupção da queda e a preta, estabilização em níveis de incidência muito altos (Jesem Orellana/Fiocruz Amazônia)

De acordo com Orellana, esses níveis altos de incidência são compatíveis com o primeiro pico da segunda onda, na semana epidemiológica de número 40, compreendida entre 27 de setembro e 03 de outubro de 2020, ou quando começaram a aumentar o número de leitos de UTI para Covid-=19, “sob o falacioso pretexto do período sazonal, o qual só costuma incomodar em fevereiro e março, exatamente quando fizeram os relaxamentos da segunda onda”.

“Portanto, estamos repetindo os erros de 2020, com a sensação de que o pior já passou. Mas, com o agravante de estarmos em companhia da implacável P.1 e de uma falsa sensação de que a vacinação de grupos de risco seja o suficiente para conter novo avanço do SARS-COV-2”, criticou.