No Brasil, região Norte concentra maior número de crianças e adolescentes sem acesso à Educação
01 de maio de 2021
Região Norte concentrava 28,4% de exclusão de crianças e adolescentes (Amanda Perobelli/Agência Brasil)
Marcela Leiros – Da Revista Cenarium
MANAUS – A região Norte do País está no topo do ranking de maior percentual de crianças e adolescentes, entre 6 e 17 anos, sem acesso à educação, em relação as outras regiões do Brasil. É o que mostra o estudo “Cenário da Exclusão Escolar no Brasil – um alerta sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na Educação”, lançado nesta semana pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A região concentrava 28,4% de exclusão de crianças e adolescentes, sendo seguida pelo Nordeste (18,3%), Sudeste (10,3%), Centro-Oeste (8,5%) e Sul (5,1%) em novembro de 2020. Em números totais, mais de 5 milhões de meninas e meninos não tiveram acesso à educação no Brasil – número semelhante ao que o País tinha no início dos anos 2000.
Região Norte concentra maior porcentagem de crianças e adolescentes em situação de exclusão escolar (Arte: Renan Máximo/Revista Cenarium)
Sem acesso
Por trás dos números, há jovens como os três filhos de Lindalva Marinho da Silva, de 38 anos, que trabalha como doméstica em Manaus. Os adolescentes, que têm entre 12 e 17 anos, estão sem frequentar a escola presencialmente desde março de 2020 quando foram fechadas devido à pandemia da Covid-19, mas também não conseguem acompanhar os estudos remotamente já que não têm acesso à internet.
A doméstica, que é a única em uma residência com sete pessoas a ter trabalho fixo, contou à CENARIUM que o maior medo é os filhos perderem a oportunidade de estudar, assim como outras crianças e adolescentes. “É muito difícil para quem não tem internet. Eles estão sem estudar desde o ano passado. Meu medo é perder os estudos”, disse Lindalva.
O estudo considerou como “sem acesso à Educação” jovens que não frequentaram a escola presencialmente ou remotamente. Com escolas fechadas por causa da pandemia, quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos não frequentavam a escola em nenhuma das duas formas e 3,7 milhões estavam matriculados, mas não tiveram acesso a atividades escolares e não conseguiram se manter aprendendo em casa.
Faixas etárias
Nos últimos anos, o Brasil vinha avançando lentamente no acesso de crianças e adolescentes à escola. Com a pandemia da Covid-19, no entanto, o País corre o risco de regredir duas décadas
A exclusão escolar atingiu sobretudo crianças de faixas etárias em que o acesso à escola não era mais um desafio. Dos 5,1 milhões de meninas e meninos sem acesso à educação em novembro de 2020, 41% tinham de 6 a 10 anos de idade; 27,8% tinham de 11 a 14 anos; e 31,2% tinham de 15 a 17 anos – faixa etária que era a mais excluída antes da pandemia.
A exclusão foi maior entre crianças e adolescentes pretos, pardos e indígenas, que correspondem a 69,3% do total de crianças e adolescentes sem acesso à educação.
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