8 de março de 2021

Jennifer Silva – Da Revista Cenarium

MANAUS – Manter o ordenamento e cumprir as leis ambientais na região amazônica é a missão dos Agentes de Defesa Ambiental que, neste sábado, 6, são homenageados. Em entrevista à REVISTA CENARIUM, o ambientalista Carlos Durigan destacou a importância da valorização do profissional e reforçou que a pauta ambiental deve ser dialogada todos os dias.

“Sabemos atualmente que cuidar da natureza não é só uma profissão, mas é um modo de viver, de se engajar em causas de interesse coletivo. Assim, são as pessoas que trabalham pela conservação da natureza, que antes de tudo são profissionais de espírito engajado e que transformam sua vida para atuar incessantemente por causas coletivas”, explicou Durigan.

Para o ambientalista, atuar pela natureza muitas vezes causa conflitos e choques ideólogicos entre interesses coletivos e públicos. “Existem setores da sociedade que não se interessam ou desdenham das causas socioambientais, como se fossem contrários às agendas econômicas e sociais. O fato é que estas agendas devem ser entendidas como complementares, só assim podemos construir uma sociedade mais sustentável e justa”, afirmou.

Reforço na luta

Para o especialista, no atual cenário trágico que a Amazônia se encontra, a data de hoje ganha um peso adicional. “Isso nos dá forças para seguir em frente, lutando por justiça às causas socioambientais, por uma sociedade mais engajada e sustentável”, declarou Carlos Durigan.

O Agente de Defesa Ambiental é responsável por fiscalizar, resolver e propor atividades e obras para a conservação e prevenção do meio ambiente, por meio de vistorias, estudos técnicos de locais, análise de processos e avaliação de impactos, visando o cumprimento da legislação ambiental.

Esse profissional promove a educação, orientando o público sobre os cuidados existentes para garantir a preservação do meio ambiente e o seu controle de qualidade. Além disso, é sua função garantir o correto funcionamento do sistema de vigilância, monitoramento e coibição de infratores, e combater os danos causados pelo homem à natureza.

Contra a corrente

Segundo apuração do Observatório do Clima, o orçamento proposto pelo Governo Federal para o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e órgãos vinculados para 2021 é o mais baixo desde, pelo menos, o fim do século passado. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) deste ano, que será analisado pelo Congresso em fevereiro, prevê R$ 1,72 bilhão para todas as despesas do MMA, inclusive as obrigatórias.

Na série histórica, desde o ano 2000, o montante autorizado nunca foi menor do que R$ 2,9 bilhões, em valores atualizados pelo IPCA (índice de preços considerado oficial pelo governo federal). Os dados são de uma análise inédita do Observatório do Clima.

Apesar de dois anos consecutivos de aumento do desmatamento e das queimadas, o governo inicia 2021 com uma redução de 27,4% no orçamento para fiscalização ambiental e combate a incêndios florestais, considerando Ibama e Instituto Chico Mendes (ICMBio).

O corte de recursos se soma a medidas como a flexibilização do controle da exportação de madeira, redução no número de multas aplicadas pelo Ibama e  proposta de fundir o ICMBio com o Ibama, o que, na prática, pode extinguir o órgão.

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