No Dia dos Professores, educadores do AM relatam anseios durante pandemia e sonham com valorização

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – No Dia dos Professores, comemorado em 15 de outubro para homenagear os profissionais da educação do País, educadores do Amazonas relatam à REVISTA CENARIUM anseios em meio ao retorno das aulas presenciais durante a pandemia e esperança de mais valorização à classe que vem se arriscando para levar, diariamente, conhecimento aos seus alunos.

“Ser professor no Brasil é algo difícil, pois é uma profissão que não é valorizada, mas isso não nos desanima. Ao vermos que nossos alunos conseguiram alcançar seus objetivos, como alcançar uma faculdade, um curso técnico, é a minha gratificação. E, neste ano atípico, tivemos que nos reinventar, utilizando os meios tecnológicos que muitos de nós não sabíamos como usar”, disse o professor de Língua Portuguesa da rede pública estadual de ensino, Cleber Leão.

Desde o início da Covid-19, as aulas presenciais foram suspensas em todas as partes do mundo, que migraram o modo de ensino para as plataformas virtuais. No Amazonas, as aulas presenciais foram suspensas em março deste ano, por conta do novo Coronavírus. No mesmo mês, o governo lançou o programa “Aula em Casa”, como medida para que os alunos do Estado não tivessem o ano letivo prejudicado.

Professor Cléber Leão ao lado da mulher, também professora, Adinelma Leão (Arquivo Pessoal)

“Dentro da sala de aula, tínhamos 40 a 50 minutos com o aluno e com a pandemia tivemos que ter 24 horas à disposição dos estudantes, por conta de problemas de horário com alguns. Mas, apesar disso, foi gratificante, porque todos aprendemos e esperamos que, a partir de agora, nós possamos ser reconhecidos e valorizados por todo o esforço da nossa classe em geral, é o que esperamos”, finalizou.

Já a professora universitária Jéssica Leal, 25, enfatiza à REVISTA CENARIUM que o segredo com as aulas virtuais foi a paciência com toda a adaptação, assim como a colaboração dos alunos que tiveram um papel fundamental para que o retorno ocorresse bem.

Segundo ela, a grande aliada da educação durante a pandemia foi a tecnologia, pois tudo estava ao alcance das mãos dos alunos, contudo, para Jéssica Leal, nada substitui o contato presencial.

Jéssica Leal, 25, é professora universitária (Arquivo)

“A atenção dos alunos se perde com mais facilidade na frente de um computador, o emocional não era dos melhores, a interação professor – aluno não era a mesma como na sala de aula, devido a tudo isso, tivemos que fazer o melhor possível para que eles (estudantes) conseguissem assimilar todo o conteúdo sem se prejudicar”, pontuou Jéssica, professora do curso de Comunicação Social da Universidade Nilton Lins, de Manaus.

A educadora relembra ainda que assuntos das aulas foram passados da forma mais detalhada possível, com prazos de entrega estendidos e com o conteúdo mais enxuto. “Os professores dedicaram mais tempo aos alunos, tudo isso com o objetivo de auxiliar no processo de aprendizagem de cada um”, salientou.

A professora aposentada Suzeth da Silva Maciel, de 79 anos, e as filhas Carlana, de 53, Antonieth Alfaia, de 56, que também são professoras, contam que se sentem esperançosas diante do novo cenário instalado com o novo Coronavírus, mas que é preciso que a profissão tenha mais respeito para que os profissionais possam trabalhar com mais dignidade.

Professora Suzeth Maciel ao lado do marido, Gerônimo Alfaia (Arquivo)

Por meio da educação, a aposentada conta que conseguiu criar seus oito filhos ao lado do marido, Gerônimo Alfaia, de 83 anos, e ajudou a formar centenas de alunos. No entanto, Suzeth Maciel, que ministrava aulas de matemática, alertou aos docentes da nova geração que é preciso ser ensinado, também, conhecimentos além do que está escrito em livros.

“Não basta ser só professor, mas também educador. O professor transmite conhecimento e o educador transmite o caminho da vida. Para que haja uma educação transformadora, é necessário que ambos caminhem juntos. Para isso, é preciso que esse ser insubstituível seja respeitado na sua dignidade humana e financeira”, disse.

Pilar

Para Carlana Alfaia, professora de reforço da Língua Portuguesa e representante do Instituto Prominas/Única Faculdades, no município de Itacoatiara (a 270 quilômetros de Manaus), a educação é um pilar fundamental para a reconstrução do País, que enfrentou problemas em todos os sentidos com a pandemia do novo Coronavírus.

Segundo ela, voltar às aulas foi um verdadeiro desafio, pois o medo assolava tanto ela e os pais de aluno. No entanto, foi preciso que a confiança entre as partes fosse depositada para que o retorno fosse seguro para todos.

Para a professora, a Covid-19 surgiu para ensinar sobre valores e mostrar que a sociedade pode vencer todas as dificuldades que aparecem ao longo da vida.

“A pandemia veio para nos ensinar e também para mostrar que nós podemos vencer todas as dificuldades. Com a Covid-19, as crianças tiveram muita dificuldade, muitos tiveram notas baixas, mas o professor se esforçou para ensiná-los. Tenho esperança que os alunos vão melhorar a cada dia, mas é preciso que nós, professores, não desistamos deles, pois eles precisam do nosso ensino para sua formação”, destacou.

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