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17 de novembro de 2021
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Déborah Arruda – Da Cenarium

MANAUS (AM) – Para muitos, o Dia dos Pais, neste dia 8 de agosto, não é uma data a ser comemorada. Pelo terceiro ano seguido, o Amazonas registrou, no primeiro semestre do ano, um aumento no número de recém-nascidos sem o nome do pai na certidão de nascimento. São mais de 4 mil crianças que não têm a figura paterna registrada oficialmente, de acordo com a Associação dos Notários e Registradores do Estado do Amazonas (Anoreg-AM).

De janeiro a julho de 2019, foram 2.951 registros sem o nome do pai. Em 2020, nesse mesmo período, foram 3.033 registros. Já em 2021, esse dado saltou para 4.142, o que significa um crescimento de 9,6% em relação ao primeiro ano da pandemia, sendo o recorde da série histórica, iniciada em 2010. Percebe-se um aumento no número de mães solo, como a assistente social Alessandra do Amaral Sales, de 48 anos. Mãe de Isabela, de 31 anos, Victória, de 22, e Otton Gabriel, de 15 anos, ela afirmou que a dor da ausência paterna é sentida com dois pesos diferentes, para ela e para os filhos. Dois de seus três filhos não têm o pai registrado na certidão de nascimento.

“Principalmente no Dia dos Pais a ausência sentida é maior por eles. É um processo dolorido principalmente quando são crianças, essa dor é mais amena, mas continua presente. A ausência é dolorida para os filhos que não têm a presença dos pais. Nós, que somos mães, sentimos porque é uma pessoa a mais que nos ajudaria na criação, a educar. Sem a presença deles temos que nos dividir em dois, para tentar minimizar a falta, esse buraco que fica na formação desses meninos”, contou.

A assistente social afirmou, ainda, que nenhum dos três pais de seus filhos a ajudou na criação. Neste processo, ela pôde contar com seus pais e irmãos. Porém, não é fácil se dividir entre os dois papéis mais importantes na criação de um filho: o de pai e mãe. Conforme contou, um pai tem a opção de sair da vida de um filho, mas para uma mãe a situação é diferente.

Alessandra com seus três filhos: Isabela, Victória e Otton. (Arquivo pessoal)

“Não é fácil ser pai e mãe, assumir os dois papéis, mas é necessário. Não tem jeito, não tem como abrir mão disso. Mãe não tem como fazer isso. Meus três filhos são de pais diferentes, com a diferença de oito anos de um para o outro. Criei os três sozinha, com a ajuda dos meus pais, quando meu pai era vivo e depois com a ajuda da minha mãe, dos meus irmãos, que foram fundamentais para a criação dos três”, disse.

Desde 2012 tem se realizado campanhas voltadas à facilitação do reconhecimento de paternidade, porém, os números crescem lentamente: 13, nos primeiros sete meses de 2019, 25, no mesmo período de 2020, e 59, em 2021. O procedimento para isso se tornou mais simples e fácil no Brasil, podendo ser feito diretamente nos Cartórios de Registro Civil, sem a necessidade de procedimento judicial.

“É mais do que, simplesmente, ter o nome do genitor no documento. É um direito da criança, que garante pensão alimentícia, herança, inclusão em plano de saúde, previdência, entre outros benefícios”, explica o presidente da Anoreg/AM, Marcelo Lima Filho, acrescentando que o ato pode ser feito em qualquer Cartório de Registro Civil do Estado, independentemente de onde tenha sido feito o registro original.