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16 de setembro de 2021
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Com informações do InfoGlobo

NOVA IORQUE — Para milhares de pessoas nos Estados Unidos, passados 20 anos, os atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001 estão longe de serem encarados como um evento histórico. As consequências dos ataques seguem presentes no dia a dia e, muitas vezes, na saúde. São parentes de vítimas, sobreviventes, moradores da área e, principalmente, quem atuou no resgate e remoção dos escombros.

“Todos nós fomos expostos a muitos carcinógenos e contaminantes no ar. E, desde o início, as pessoas tiveram tosse, dor de garganta e nariz escorrendo. É a tosse do World Trade Center (WTC). Dois anos depois daquele dia, você ainda tossia um pouco, porque seus pulmões estavam moles, irritados por termos ido ao local muitas vezes”, diz o tenente dos bombeiros James McCarthy, que chegou à pilha de escombros naquele mesmo dia.

O Distrito Financeiro de Manhattan, onde ficavam as Torres Gêmeas do WTC, foi palco de 93% das quase 3 mil mortes dos atentados da rede terrorista al-Qaeda, que também fizeram vítimas no Pentágono, perto da capital Washington, e no Estado da Pensilvânia. Além do trauma de testemunhar os atos e as mortes, quem estava em Nova Iorque ficou exposto à nuvem tóxica decorrente do desabamento das torres, atingidas por aviões comerciais sequestrados pelos terroristas. A poeira e a fumaça carregavam substâncias nocivas, como combustível, cimento, gesso, amianto, fibras de vidro e metais pesados.

Informados pelas autoridades da época que o local era seguro, os que atuaram no rescaldo ficaram expostos. Não à toa, esse grupo compõe 72% dos filiados ao Programa de Saúde do WTC, plano de assistência do governo federal criado em 2011, hoje, com 112 mil inscritos. Outros 27% são enquadrados como sobreviventes. Desde então, 1.510 inscritos que tinham diagnóstico de câncer morreram, assim como 1.571 que tinham doenças aerodigestivas, como sinusite crônica, refluxo gastroesofágico e asma. Entre os filiados ainda vivos, atualmente, há 47,3 mil diagnósticos de doenças aerodigestivas, 22,2 mil de câncer e 19 mil de doenças mentais.

Exposição e consequência

A lista deve aumentar, já que algumas doenças relacionadas — como o mesotelioma, tipo de câncer pulmonar provocado pela exposição ao amianto  — podem levar até 40 anos para se manifestar. E calcula-se que até 500 mil pessoas possam ter sido expostas aos ataques e suas consequências. Por causa disso, em 2019, depois de muita pressão das vítimas, o Congresso dos EUA aprovou a extensão dos auxílios até 2090, inclusive para novas adesões, a um custo de U$ 10,2 bilhões nos próximos dez anos.

“Uma das marcas registradas do 11 de Setembro é que as doenças decorrentes dos ataques costumam ocorrer juntas. Assim, temos muitas pessoas que têm mais de uma condição de saúde mental, ou mais de uma condição de saúde física, ou uma combinação das condições física e mental. E o declínio na qualidade de vida aumenta com o número de doenças concomitantes que as pessoas têm”, explica Mark Farfel, diretor de um outro programa, o Registro de Saúde do World Trade Center, gerido pela prefeitura de Nova Iorque com recursos federais e que monitora (mas não trata) 71 mil pessoas diretamente expotas aos atentados.

O monitoramento da prefeitura, um dos maiores e mais longos já feitos após um desastre, começou logo depois de 2001. O grupo avaliado apresenta incidência acima da média para uma série de problemas, tais como asma, doenças cardíacas, câncer, consumo excessivo de álcool, até perda de emprego e aposentadoria precoce. Mas a condição de saúde mais comum entre os monitorados é o transtorno de estresse pós-traumático, que acometeu, em algum momento, um em cada quatro expostos, mais de quatro vezes a taxa da população em geral. Para ler a matéria completa acesse O Globo.