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16 de setembro de 2021
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Victória Sales – Da Cenarium

MANAUS (AM) – Desde o dia 23 de julho até o próximo dia 8 de agosto deste ano o mundo volta os olhares para Tóquio, no Japão, onde ocorrem as Olimpíadas de 2020. Porém, algo muito maior que as competições chamou a atenção de muitos torcedores: dos 300 atletas que compõem a delegação brasileira, apenas três fazem parte da região Norte do País.

Foram apenas dois representantes paraenses, que competiram no handebol e na marcha atlética, e um representante do Estado de Roraima, que participou da natação. Os Estados de Rondônia, Acre, Amapá, Tocantins e Amazonas não puderam levar representantes até as Olimpíadas. Em entrevista exclusiva para a CENARIUM, o profissional de atletismo, Sandro Viana, destaca que a falta de lideranças que entendam os anseios, as necessidades e principalmente a realidade da região.

“É preciso ter representatividade, por muito tempo eu enquanto atleta ouvi justamente isso, que nós não tínhamos representatividade e por isso não estávamos ali na lista de prioridade. Nós temos talento, nós temos campeões e nós temos matéria-prima, ou seja, nós temos lá milhares de jovens que se tiverem uma oportunidade, tiverem um pavimento, tiverem um caminho para percorrer, elas poderão sim trazer bons benefícios para o esporte”, explicou Sandro.

Além disso, Sandro afirma que a região Norte tem um déficit geopolítico que se baseou em questões preconceituosas como a distância. “A atenção é ineficiente para a questão da região Norte, e as lideranças não são daqui, logo fica mais difícil ainda se nós pegarmos lideranças que são de outras regiões e colocarmos elas para administrar a região Norte, mesmo com a maior boa vontade do mundo, a diretriz dela continua sendo as regiões dela”, afirmou.

Sandro Viana durante competição de atletismo (Mark Dadswell/Getty Images)

Os Estados que mais tiveram representantes são os que apresentam os maiores PIBs do Brasil. Dentre os 302 brasileiros inscritos para as Olimpíadas, 108 são do Estado de São Paulo, de onde vem quase um terço do valor da economia do País. Em seguida, o Rio de Janeiro, com 51 atletas, Minas Gerais, com 20, Rio Grande do Sul, com 19, e Santa Catarina, com 15. Mas apesar do Norte ter encontrado dificuldade durante o percurso, o Nordeste ganha um destaque maior nas Olimpíadas de 2020.

São 17 representantes no atletismo e 10 no futebol, e ao contrário da média no PIB, a região conta com atletas de grande destaque como a Rayssa Leal, a mais nova da delegação brasileira, e que levou a medalha de prata na modalidade Skate. Vale ressaltar que na delegação brasileira tem nove competidores que nasceram fora do Brasil.

Segundo o técnico de vôleibol, Alexandre Chaves, a dificuldade inicial é que os atletas do Norte têm pouco intercâmbio e isso afeta diretamente a qualidade do desporto que é praticado. “Nós temos um campeonato interno fraco, onde a gente tem poucos jogos, seja de vôlei ou basquete, a gente tem poucas competições e, quando a gente consegue enviar um atleta para participar de uma competição nacional, esse atleta chega com uma bagagem de competição muito baixa”, destacou.

“A falta de repasse dos recursos para os atletas nos afetou diretamente, os atletas da região Norte que comprovadamente têm menos recurso, e o esporte acaba sendo uma atividade secundária que no tempo livre, quando eles não estão trabalhando, eles se dedicam de forma parcial a essa modalidade a qual ele poderia representar o nosso Estado”, lamentou Alexandre.