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17 de abril de 2021

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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – Há 25 anos, o Brasil recebia a triste notícia da morte dos meninos que formaram o Mamonas Assassinas. Em 2 de março de 1996, Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli morreram após um trágico acidente aéreo em São Paulo. Para matar a saudade, fãs relembram momentos marcantes da banda que conquistou o país.

O Mamonas Assassinas era um grupo de rock cômico de Guarulhos, interior do São Paulo. Com refrãos alegres e vestidos com roupas chamativas – que não combinavam nada entre si – os músicos faziam mistura de ritmos como pop rock, sertanejo, brega, heavy metal, assim como pagode, forró e o vira – um gênero do folclore português.

Grupo era conhecido por perfomances incomuns e letras cômicas (Reprodução/Facebook)

Show em Manaus

Nas centenas de shows que o grupo fez por todo o país, Manaus também teve o privilégio de receber a banda. O fã amazonense Jeferson Araújo Belém, de 38 anos, relembra que um momento memorável foi quando teve a oportunidade de ir ao show da banda na cidade, no dia 27 de janeiro de 1996, no Studio 5.

“Eu tinha 12 anos quando ganhei o ingresso do show como presente do aniversário de 13 anos que fiz em fevereiro. Fui ao show com meu tio e uns amigos. Lembro que foi muito bacana. Muita gritaria, todo mundo pulando e cantando. Eles mesmos bagunçavam no palco”, detalhou o fã.

Jeferson lembrou ainda de que quando ficou sabendo do trágico acidente. “Lembro bem desse dia. Estava na casa da minha avó com meu primo. Fomos a missa, na volta fomos tomar café e todas as emissoras estavam falando sobre a morte deles. Como fã que ainda sou, foi muito triste, ainda mais na época quando ainda era meio criança”, lembrou Jeferson.

Sucesso além do tempo

O jornalista Rodolfo Bertoncelo, que tinha apenas dois anos quando o acidente ocorreu, hoje tem 27 anos e mora em São Jorge do Patrocínio, no Paraná. O jovem administra desde 2013 a fanpage Mamonas Assassinas que possui 403.447 seguidores de várias cidades brasileiras e de países como Portugal, Espanha e França.

O jornalista Rodolfo Bertoncelo segura uma cópia do único disco lançado pela banda (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Segundo Rodolffo, ele se descobriu fã depois do acidente, mas já ouvia as músicas desde bem cedo. “Eu gosto dos Mamonas desde o berço, tinha um ano e meio quando eles estouraram. Minha mãe cantava as músicas deles para me acalmar. Eu acredito que eu tenha me tornado fã por eles serem diferentes dos demais, não só musicalmente, mas como pessoas também”, contou o administrador da página

Rodolfo contou ainda que já foi criador de conteúdo em duas páginas dedicadas ao Mamonas Assassinas no Facebook, e também administrava a maior ‘comunidade’ deles no extinto Orkut. Para o jornalista, a banda se destacava por ser diferente. “Eles fizeram de maneira diferente, desde o tipo de música até o modo como se comportavam no palco. Como pessoas não se deslumbraram com o sucesso, não mudaram em nada, não tiveram ingratidão com ninguém, não se achavam mais que os outros por estarem fazendo sucesso, eram humildes demais”, relembra o fã.

Carreira meteórica

Além das músicas espirituosas, o grupo é conhecido por seu sucesso “meteórico”, já que a carreira durou um ano meio, de outubro de 1994 até o dia do acidente fatal. O único álbum de estúdio gravado pela banda, Mamonas Assassinas, foi lançado em junho de 1995 e vendeu mais de 1 milhão 800 mil cópias no Brasil, sendo certificado com disco de diamante.

Com o grande sucesso, o grupo se apresentou em programas como Jô Soares Onze e Meia, Domingo Legal, Domingo do Faustão e Xuxa Park. Foi ainda destaque na capa da revista Billboard no mesmo ano do acidente, fazendo cerca de oito a nove shows por semana. Ocasionalmente, eram dois ou três shows por dia.

O ‘cachê’ dos Mamonas tornou-se um dos mais caros do país, variando entre R$ 40 mil, R$ 50 mil, R$ 70 mil e R$ 100 mil. Consequentemente, a gravadora EMI faturou cerca de R$ 80 milhões com a banda. Em certo período, a banda vendia 50 mil cópias por dia.

Acidente

A banda estava voltando para casa após um show em Brasília quando o jatinho bateu na Serra da Cantareira, entre as cidades de São Paulo e Guarulhos. Todos a bordo da aeronave morreram.

Velório dos jovens foi acompanhado por milhares de pessoas (Reprodução/Internet)

O enterro, no dia 4 de março de 1996 no cemitério Parque das Primaveras, em Guarulhos, foi acompanhado por mais de 65 mil fãs (em algumas escolas, até mesmo não houve aula por motivo de luto). O enterro também foi transmitido em TV aberta, com canais interrompendo sua programação normal.

Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o que contribuiu para que o acidente ocorresse foi fadiga de voo, imperícia por parte do copiloto que não tinha horas de voo suficientes para aquele tipo e modelo de aeronave e não era contratado pela empresa de táxi-aéreo Madri, que transportava a banda, falha de comunicação entre a torre de controle e os pilotos, cotejamento e fraseologia incorretos das informações prestadas pela torre.