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30 de novembro de 2021
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Da Revista Cenarium*

O Brasil perdeu cerca de 87,2 milhões de hectares de vegetação nativa durante o período de 1985 a 2019, o equivalente a 10% do território nacional em 35 anos. O tamanho do território é maior do que países como Alemanha, Inglaterra, Itália e Portugal somados.

Os dados levantados pelo MapBiomas também mostram que metade dessa vegetação, 44 milhões de hectares, foi destruída na Amazônia. A acurácia do levantamento atual do MapBiomas é de 91%, explica Tasso Azevedo, coordenador da plataforma, que envolve uma rede de especialistas de diversas formações, ONGs, universidades e empresas de tecnologia.

“O MapBiomas é um produto vivo”, diz Tasso Azevedo. A cada ano, segundo ele, novas camadas de informação são adicionadas e as versões anteriores são atualizadas de acordo com informações de satélite e de pesquisa mais precisas. A chamada Coleção 5 da plataforma também incluiu o monitoramento de áreas de lavouras como soja e cana, além de melhorias nos mapeamentos de pastagem e agricultura no Brasil.

Uma boa notícia revelada por essa rodada de informações da plataforma é que a área de pastagens com sinal de degradação caiu de 72% em 2010 para 60% em 2018. Um número ainda altíssimo, mas que revela uma queda acentuada em pouco tempo.

A explicação para isso, segundo Azevedo, é que como o desmatamento teve uma tendência de queda na última década. Além das políticas para o clima que foram implementadas, parte dos pecuaristas foram obrigados a melhorar a produtividade, um problema crônico do setor.

A tendência do desmatamento, no entanto, está sendo fortemente revertida nos anos de governo Bolsonaro. A destruição da Floresta Amazônica aumentou 34% entre agosto de 2019 e julho de 2020 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Mesmo áreas protegidas por lei, como unidades de conservação e terras indígenas, viram uma alta de 40% na devastação no mesmo período.

Os dados são do recém-divulgado levantamento do MapBiomas, projeto que mapeia ano a ano o uso do solo no Brasil. No geral, mais de 90% de toda a perda de vegetação natural no Brasil, incluindo todos os biomas, foi em função da agropecuária, que se expandiu em 78 milhões de hectares, com 43% de crescimento desde 1985.

Além dos dados históricos consolidados desde 1985, revelados pela primeira vez, a última versão do MapBiomas também traz dados de desmatamento e regeneração, como a velocidade de perda de vegetação nativa por bioma e os territórios onde há mais vegetação secundária —áreas anteriormente degradadas que hoje cobrem 9% do país. Em algumas regiões, as florestas secundárias já superam as primárias.

(*) Com informações da Mongabay Brasil