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19 de janeiro de 2022
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Com informações da Carta Capital

MANAUS — O novo surto gripal da Influenza H3N2 reacende o alerta para comunidades indígenas ao Norte do País. De acordo com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), novos casos de gripe, coronavírus e possível dupla infecção — chamada de ‘flurona’ — foram registrados em ao menos oito terras indígenas.

A situação é crítica para as aldeias da Terra Indígena Xambioá, localizada no município de Santa Fé do Araguaia, no Tocantins. No dia 5 de janeiro, foi comunicada a morte do cacique Josué Borori Txebuare Karajá, líder da aldeia Hawa-Tymara, vítima do surto de gripe.

Atual sucessor e filho do cacique, Rubens Karajá relata que o surto gripal já atinge 90% da comunidade, que segue sem remédios ou assistência da Sesai e conta apenas com um carro, sem manutenção, para buscar auxílio médico na cidade mais próxima, a 70km da aldeia.

“Os médicos da Sesai nunca apareceram. Estamos nos virando com remédios caseiros, não temos orientação porque nossa única enfermeira não aparece há 15 dias na comunidade”, relata. As técnicas de enfermagem que prestavam assistência à comunidade também adoeceram — atualmente, a equipe conta apenas com uma integrante ativa para os mais de 300 indígenas Xambioá.

Ainda segundo Rubens, membros da comunidade seguem aguardando leito para internação há cinco dias em hospitais nos centros urbanos mais próximos. Nesta semana, um integrante da comunidade que esteve presente no velório testou positivo para Covid-19. Ainda não houve testagem na comunidade para mensurar o número real de infectados.

Posicionamento

Em nota, a Sesai afirma ter dado continuidade aos protocolos de prevenção e controle da Covid-19 e solicitado mais de 90 mil testes rápidos de antígeno para o primeiro semestre de 2022, assim como a reativação de 352 Unidades de Atendimentos aos Povos Indígenas (Uapi) e reforça que os Dsei contam com equipe de resposta rápida para os casos de surtos.

A secretaria também afirma que 85% dos indígenas maiores de 18 anos foram vacinados com a segunda dose contra a Covid-19, e que 87% estão imunizados contra influenza em 2021. De acordo com especialistas, a vacina da gripe não cobre a nova cepa H3N2.