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21 de novembro de 2021
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Gabriel Abreu – Da Revista Cenarium

MANAUS – “O afastamento do presidente do Ibama, Eduardo Bim, é correto”, defende Thais Bannwart, porta-voz de políticas públicas do Greenpeace, após a Polícia Federal (PF) deflagrar na manhã desta quarta-feira, 19, a operação Akuanduba que tem o objetivo de apurar as suspeitas de crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando que teriam sido praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.

Para Thais Bannwart, não se pode ter um órgão de proteção ambiental presidido por alguém que age em prol de madeireiras e facilita a exportação de madeira ilegal. A porta-voz se refere ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, um dos principais alvos da operação.

Thais Bannwart, porta-voz de Políticas Públicas do Greenpeace.

“É preciso que seu mandante, o ministro Ricardo Salles, também seja afastado do seu cargo imediatamente. Embora apenas seu afastamento não seja suficiente para superar os problemas causados pelo próprio governo em sua política antiambiental, há claras evidências de que temos um ministro que atenta contra sua pasta, e isso é inadmissível”, contestou a porta-voz de políticas públicas.

Thaís Bannwart chama a atenção para atuação de Salles que, desde que assumiu o cargo de ministro, o desmatamento ilegal na Amazônia aumentou significativamente nos últimos dois anos, gerando ainda mais pressão de líderes mundiais para que as políticas públicas de combate ao desflorestamento fossem mais intensificadas pelo governo brasileiro.  

“Entre proteger florestas e beneficiar criminosos, o atual governo já deixou bem claro de que lado está, e Ricardo Salles é figura central no trabalho de minar a capacidade das instituições ambientais para exercerem seus deveres. O resultado desse trabalho é a explosão de desmatamento, queimadas, crimes ambientais, violência contra os povos da floresta e destruição”, salientou Bannwart.

Thais Bannwart, porta-voz de Políticas Públicas do Greenpeace.

Por fim, o Greenpeace espera que a operação possa ser o início do fechamento da porteira das boiadas, fazendo referência a uma fala do ministro numa reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro, que defendia flexibilizar as normas ambientais já que o foco da mídia era a pandemia.

Thais Bannwart, porta-voz de Políticas Públicas do Greenpeace.

“Esperamos que esta operação possa ser o início do fechamento da porteira das boiadas. Nós, brasileiros, nos orgulhamos do nosso patrimônio ambiental e não merecemos mais passar vergonha diante do restante do mundo por uma desastrosa política antiambiental que nos faz caminhar para trás”, finaliza.

Operação Akuanduba

A operação, batizada de Akuanduba (divindade dos povo Araras, do Pará), foi deflagrada por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o afastamento do presidente do Ibama, Eduardo Bim, por suspeitas de irregularidades. Segundo a PF, são 35 mandados de busca e apreensão em cumprimento no Distrito Federal, em São Paulo e no Pará.

Notícia-crime

Em abril deste ano, o então superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, enviou ao STF uma notícia-crime – instrumento usado para alertar uma autoridade da ocorrência de um ilícito – contra Salles e o senador Telmário Mota (Pros-RR).

No documento, o delegado aponta a possibilidade de ocorrência dos crimes de advocacia administrativa, organização criminosa e o crime de “obstar ou dificultar a ação fiscalizadora do Poder Público no trato de questões ambientais.”

Para Saraiva, Salles e Telmário tiveram uma parceria com o setor madeireiro “no intento de causar obstáculos à investigação de crimes ambientais e de buscar patrocínio de interesses privados e ilegítimos perante a Administração Pública.”

Um dia após apresentação da notícia-crime, a Polícia Federal divulgou nota confirmando a troca do superintendente da corporação no Amazonas.