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17 de novembro de 2021
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É inegável o avanço sistemático e agressivo da atividade de garimpo ilegal no Estado de Roraima, mais precisamente em terras Yanomami. A disputa por terra arrisca a vida de muitos indígenas e trabalhadores que lutam para se sustentar em condições, muitas vezes, precárias.

Semelhante ao Serra Pelada, maior garimpo a céu aberto da década de 80, o nível de destruição ambiental no primeiro trimestre de 2021 chegou a 200 hectares, que é o equivalente a 10% de desmatamento registrado nos últimos 10 anos.

Atualmente, a atividade ocupa cerca de 240 campos de futebol em terra indígena. O que antes era feito de forma sucinta, hoje em dia, já mobiliza uma estrutura organizada de financiamento e produção de matéria prima. Com máquinas tecnológicas, garimpeiros realizam atividades de extração em leitos de rios, causando principalmente, danos ambientais graves.

Com estimativa de 20 mil garimpeiros vivendo em terras indígenas, segundo a Hutukara Associação Yanomami (HAY), a invasão também traz riscos à saúde dos povos tradicionais, que acabam sendo expostos a inúmeras doenças. Durante a pandemia da Covid-19, muitos foram contaminados por conta do contato próximo aos infectados, gerando mais um problema a ser resolvido.

Resistindo da maneira que podem, as lideranças indígenas procuram formas de proteger seu povo da atividade ilegal, como pontua o vice-presidente da HAY, Dario Yanomami. ‘’Os garimpeiros continuam sujando os rios, se organizando e ameaçando nossos parentes. Está do mesmo jeito. Já fizemos muito barulho sobre os invasores e a retirada deles e agora estamos esperando que essas operações façam a diferença no território, porque os indígenas estão vivendo limitados”, comenta Dario.

Recorrendo ao Ministério Público Federal, os indígenas se mobilizam por meio de ações para chamar a atenção para a pauta que já se arrasta por anos. ‘’ Essa movimentação é para que o governo federal retire os garimpeiros da terra Yanomami. Estamos até mesmo fazendo articulações internacionais para que outros países também pressionem o Brasil para isso ser resolvido’’, destaca o vice-presidente da HAY.

Buscando dar apoio aos povos tradicionais, a Polícia Federal tem realizado constante vistoria das terras indígenas, para proteger e verificar o movimento dos invasores. Durante uma revista, foram localizados pontos de residências e comércios, basicamente, uma cidade em construção.

As constantes guerras por território ganham manchetes de jornais e vídeos ganham visualizações por conta da violência exercida. Em maio de 2021, garimpeiros invadiram uma aldeia indígena portando armas e atirando contra mulheres e crianças; posteriormente, o ataque foi revidado e o embate ainda se encontra em situação conturbada.

A descoberta de infiltrações de integrantes de uma facção bastante conhecida no Brasil demonstrou a dimensão do problema que estamos enfrentando. A terra agora atrai todo e qualquer tipo de público, que busca formas de aumentar sua fonte de renda. Esses integrantes chegaram a trocar tiros com a PF, o que não era comum na região.

Através de vídeos publicados em redes sociais, garimpeiros se orgulham do trabalho que exercem, como o desvio de rios. A atividade gera dinheiro e emprego, mas ao mesmo tempo, impactos irreversíveis são causados à fauna local. Ainda que o exercício ganhe força em debates, precisamos colocar em equilíbrio os prós e contras que são oferecidos a nós como população brasileira.

Recentemente, vemos a notícia que o Ministério Público Federal investiga a morte de crianças que morreram próximas à maquinas de garimpo. A atividade, se não acompanhada, pode aumentar o número de mortos por acidentes, pois é difícil o acesso médico nessas áreas.

Mudanças drásticas e rápidas precisam ser tomadas para, no mínimo, proteger a comunidade indígena de ataques. Tanto a terra quanto quem originalmente vive no lugar precisam ser resguardados, pois as consequências podem ser difíceis de reverter. Enquanto isso, a atividade de garimpo em Roraima caminha por águas turvas e constante conflito.

(*) O autor é diretor-presidente do Sistema Previdenciário do Amazonas (Amazonprev) e professor na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), tem Doutorado em Administração Pública, é graduado em Administração de Empresas e em Direito.

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