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27 de novembro de 2021
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Com informações do Portal Alma Preta

BRASIL – No Brasil, as mães que têm filhos presos veem o Dia das Mães como uma data de luta e de amor. Essas mulheres enfrentam uma série de desafios para levar amor e dignidade aos filhos. Existem quase 750 mil pessoas presas no país, segundo dados do Ministério da Justiça, de 2020. Sete em cada dez são negras.

“É necessário avaliar que isto impacta a vidas de milhares de mães e famílias, que estão também, de alguma forma, aprisionadas em torno dos corpos de seus parentes privados de liberdade”, afirma Miriam Duarte, cofundadora da Amparar e mestranda em Políticas Públicas na UFABC (Universidade Federal do ABC).

A Amparar (Associação de Amigos e Familiares de Presos) é um movimento social organizado, que atua na luta de mães com filhos encarcerados. O movimento existe desde o final da década de 1990 e o foco é a articulação para criação de políticas públicas contra o encarceramento em massa.

Miriam escreveu um artigo onde aponta as situações de violação dos Direitos Humanos e violências que as famílias enfrentam para manter uma conexão com os parentes presos. Por exemplo a burocracia e as exigências, que sempre mudam, em relação ao “jumbo”, classificadas pelas mães como formas de punir, inclusive financeiramente, os familiares.

Jumbo é o fardo de mantimentos e produtos de higiene que as famílias podem levar para os presos. As unidades prisionais impõem regras e condições para o envio. Há relatos de demora de até 15 dias para que a comida chegue ao preso.

Censura das mães

Outro ponto em destaque na avaliação da Amparar é a censura e a imposição do silêncio para denúncias de casos de tortura nas unidades prisionais. Se a mãe faz uma denúncia, o filho pode ser punido com uma falta na ficha de comportamento.

“Fiquei desolada ao não ver uma saída para o sofrimento dele. Entrei em desespero por não poder fazer nada. Eu comecei a chorar desesperada, sem poder fazer nada, porque quanto mais a gente tenta fazer, mais complicada a situação deles”, conta uma mãe de um preso torturado no cárcere.

As mães dos presos não têm acesso público a serviços de assistência de saúde ou de orientação jurídica, para casos de violação de direitos durante as visitas. Até mesmo para chegar na penitenciária no dia da visita essas mulheres passam por constrangimentos e humilhações, como blitz nas estradas que param os ônibus alugados por familiares.

“São mulheres que não conseguem se ver em um lugar para serem cuidadas, de forma que muitas não conseguem ir até um posto de saúde, não conseguem ser inseridas em programas sociais. Elas se submetem muitas vezes a trabalhos precarizados, além de jornadas triplas que envolvem o trabalho fora, o trabalho dentro de casa e o trabalho em prol de seu familiar que se encontra preso”, relata Miriam.

A Amparar produziu o vídeo “Presas por um fio”, sobre o cotidiano das mães de presos. O vídeo deve ser lançado ainda em 2021. “O amor de mãe não tem grade que segura. Eu continuo amando o meu filho da mesma forma e lutando por ele. É o meu filho e não existe ex-filho. Entrego cestas e falo com as famílias sobre o amor ao próximo. Falo da importância de amar uns aos outros”, lembra a mãe de outro preso.