4 de março de 2021

Com informações da Carta Capital

SÃO PAULO – Na América Latina, a segunda região do mundo com mais mortes por coronavírus, uma cena de desespero se repete: pessoas em filas intermináveis ou pagando preços altos por um cilindro de oxigênio, enquanto pacientes morrem asfixiados em hospitais.

Sob um sol escaldante em Manaus, ou na noite fria nos arredores de Lima, no Peru, milhares de pessoas peregrinaram nas últimas semanas em busca do gás vital para socorrer seus parentes infectados.

A pandemia, que na América Latina já provocou 19,1 milhões de infecções e mais de 606 mil mortes desde o primeiro caso confirmado há quase um ano, disparou a demanda por oxigênio medicinal. Yamil Antonio Suca chegou de madrugada a um centro de distribuição em El Callao, porto vizinho à capital peruana, na esperança de conseguir encher seu cilindro. Outros ao seu lado esperavam há dois ou três dias.

“Meu pai está com Covid, ele tem 50 anos e precisa de oxigênio, sua saturação é muito baixa”, disse à AFP esse estudante universitário de 20 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de um em cada cinco pacientes com Covid-19 necessita de oxigênio em concentrações superiores às encontradas no meio ambiente.

“Sem essa terapia, a Covid-19 pode ser fatal”, disse a especialista em medicina de emergência Priyanka Relan, no Boletim da OMS, o jornal científico da organização.

Drama

Na América Latina, a segunda região do mundo com mais mortes por coronavírus, uma cena de desespero se repete: pessoas em filas intermináveis ou pagando preços altos por um cilindro de oxigênio, enquanto pacientes morrem asfixiados em hospitais.

Sob um sol escaldante em Manaus, ou na noite fria nos arredores de Lima, no Peru, milhares de pessoas peregrinaram nas últimas semanas em busca do gás vital para socorrer seus parentes infectados. A pandemia, que na América Latina já provocou 19,1 milhões de infecções e mais de 606 mil mortes desde o primeiro caso confirmado há quase um ano, disparou a demanda por oxigênio medicinal.

Caos em Manaus

No Brasil, que com mais de 226.000 mortes é o segundo país do mundo depois dos Estados Unidos com o maior número de vítimas fatais pela Covid-19 em termos absolutos, a segunda onda da pandemia esgotou as reservas de oxigênio no estado do Amazonas.

Em meados de janeiro, a demanda diária no Amazonas girava em torno de 76 mil m3 de oxigênio, mas as empresas fornecedoras não conseguiam produzir mais do que 28,2 mil m3.

Na capital Manaus, única das 63 cidades do estado com unidades de terapia intensiva (UTI), dezenas de pessoas morreram por falta de oxigênio. Sobrecarregadas, as autoridades estaduais tiveram que impor um toque de recolher, enquanto o governo evacuou pacientes para outros estados, organizou envios de oxigênio para Manaus e até recebeu uma doação da empobrecida Venezuela.

No Peru, que desde maio enfrenta uma falta de oxigênio medicinal, declarado um “recurso estratégico” pelo governo, o aumento da demanda fez com que os preços disparassem mais de 300%. Atualmente, os cilindros de oxigênio de 10 m3 custam entre 330 e 690 dólares, e um metro cúbico de oxigênio custa entre 5 e 13 dólares.

O governo, empresas privadas e a igreja católica instalaram novas fábricas de oxigênio em Lima e nas regiões mais afetadas para tentar abastecer pessoas e hospitais, mas a escassez persiste.